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Com apoio de craques do futebol, associação médica lança campanha contra doença genética irreversível

Academia Brasileira de Neurologia propõe desafio digital para aumentar o conhecimento da sociedade sobre a PAF

Capazes de mobilizar torcidas e de inflamar paixões, o futebol tem canalizado esse prestígio também para fazer a diferença na área da saúde. Se no passado as ações envolvendo os jogadores já foram capazes de aumentar as doações de órgãos e de abastecer bancos de sangue do País, agora os esforços estão concentrados em chamar a atenção para uma doença genética pouco conhecida que afeta milhares de brasileiros: a polineuropatia amiloidótica familiar (PAF), ou paramiloidose.

Com apoio de vários craques brasileiros e da Pfizer, a Academia Brasileira de Neurologia (ABN) acaba de lançar a campanha #PAUSANAPAF, que tem o objetivo de mudar o cenário de desinformação que envolve a doença e incentivar o diagnóstico precoce, criando uma grande rede de mobilização contra a doença nos próximos meses. Progressiva e irreversível, a PAF costuma se manifestar entre os 30 e os 40 anos, pausando completamente a vida do paciente.

Após os primeiros sintomas, sem tratamento adequado, os pacientes com PAF enfrentam uma perda progressiva dos movimentos e sobrevivem, em média, por 10 anos. “Como os primeiros sintomas da doença se manifestam nos pés, nada mais emblemático do que contar com a participação dos ídolos do futebol nessa causa”, diz o neurologista Acary Souza Bulle Oliveira, da ABN.

Embaixador da campanha no Brasil, o ex-jogador Cafu destaca a importância do envolvimento do esporte nas questões sociais, especialmente na área da saúde. “O brasileiro ama futebol e tudo que está relacionado a esse universo  acaba ganhando bastante destaque. Então, é muito gratificante quando conseguimos aproveitar essa visibilidade para engajar as pessoas em torno de uma causa tão importante, que pode modificar completamente a vida desses pacientes”, afirma.

Mobilização digital

Uma das estratégias da campanha #PAUSANAPAF é a criação de uma intensa mobilização nas redes sociais, contando com o apoio de craques do futebol e também de outros influenciadores importantes no meio digital. A ideia é desafiar o maior número possível de internautas a gravar um vídeo em que a pessoa apareça totalmente parada, por alguns segundos, em algum cenário com bastante movimento ao fundo. Depois, bastar postar essa “selfie pausada” no Facebook ou Instagram, como forma de aguçar a curiosidade sobre a doença e estimular a busca por mais informações em seu círculo de amizades.

Ídolos do Palmeiras e também do Santos, entre eles Ricardo Oliveira, Renato e Elano, já aderiram ao desafio da selfie pausada. Postado na página oficial do Santos Futebol Clube, o vídeo com o jogador Ricardo Oliveira, por exemplo, foi visualizado mais de 35 mil vezes no Instagram e Facebook. Já o material compartilhado por Renata Fan no Instagram foi visualizado por mais de 66 mil pessoas até o início desta semana.

Fora do mundo do futebol, celebridades de várias áreas também manifestaram seu apoio à campanha. Esse é o caso da cantora Wanessa Camargo, que postou uma selfie pausada em seu Instagram no último dia 12. Apenas cinco horas após a publicação, o material já havia sido visualizado por mais de 25 mil pessoas. A apresentadora Adriane Galisteu também divulgou o desafio em seu Instagram, mobilizando milhares de fãs.

Além de apostar na mobilização digital, a campanha #PAUSANAPAF prevê ações presenciais em alguns estádios do País. E, considerando que a origem da doença é predominantemente portuguesa, o amistoso entre Santos e o time lusitano Benfica foi escolhido para iniciar esse movimento. Por isso, no dia 8 de outubro, durante o jogo que marcou as comemorações de 100 anos da Vila Belmiro e a despedida do ex-lateral Léo, os painéis de LED do estádio exibiram mensagens sobre a PAF. Agora, a ideia é novas ações nos estádios ocorram nas próximas semanas, ao longo do Campeonato Brasileiro.

O poder do futebol

A campanha ‘Meu sangue é rubro-negro’, de 2012, representa um exemplo do potencial de mobilização social do futebol. Nessa iniciativa, a cor vermelha foi totalmente retirada da camisa número 1 do Vitória, clube da Bahia, que se tornou alvinegra. A cada jogo, conforme os estoques de sangue da Fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia (Hemoba) iam subindo, a camisa ia recuperando suas listras vermelhas e tornando-se novamente rubro-negra.  O resultado foi surpreendente: após dez partidas o estoque do banco da Hemoba, que estava abaixo do ideal, apresentou um aumento de 46% nas doações de sangue recebidas.

Outra incursão de sucesso do futebol na área da saúde foi a iniciativa “Pelo Sport tudo. Até depois de morrer”, lançada em 2012 com o objetivo de beneficiar a Central de Transplantes do Estado de Pernambuco. O objetivo era criar a primeira carteirinha de doação de órgãos de um time de futebol em todo o mundo. O saldo foi positivo: naquele ano, houve um aumento de 54% no número de doações de órgãos em Pernambuco. A ideia era manter o coração do doador vivo no peito de um outro torcedor, perpetuando a vida e o amor pelo time.

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