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Sociedade médica faz campanha de prevenção da pneumonia em Porto Alegre

A iniciativa envolve ações presenciais em outros sete Estados e no Distrito Federal

A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) promove em Porto Alegre a campanha “Pneumonia pneumocócica tem vacina”, para conscientizar a população sobre os perigos dessa enfermidade e a necessidade da prevenção. A iniciativa tem apoio da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e da Pfizer. No próximo fim de semana, dias 22 e 23, profissionais de saúde estarão no Shopping Iguatemi para distribuir materiais informativos sobre a pneumonia e suas formas de prevenção, além de esclarecer dúvidas relacionadas à doença. 
 
“Nosso objetivo é sensibilizar a população a respeito da gravidade do problema, principalmente para a população a partir dos 50 anos de idade, um segmento que vem aumentando no País e que está entre os públicos mais suscetíveis à pneumonia”, explica o pneumologista Fernando Luiz Cavalcanti Lundgren, presidente eleito da SBPT para o biênio 2017-2018.  De fato, a porcentagem de pessoas nessa faixa etária quase dobrou nas últimas décadas, passando de 12% da população brasileira, em 1980, para 20% em 2010, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
 
As ações presenciais envolvem nove cidades:  Salvador, São Paulo, Brasília, Fortaleza, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre, Curitiba e Campinas. No portal www.pneumoniatemvacina.com.br, a população poderá obter mais informações a respeito da doença e conferir dados sobre sintomas, fatores de risco, tratamento, formas de prevenção e locais de vacinação. Além disso, o público poderá acompanhar a programação em cada uma das cidades no Facebook:  www.facebook.com/pneumoniatemvacina.

O novo cenário da pneumonia
   
Pacientes com o sistema imunológico mais fragilizado, como crianças, idosos, gestantes e doentes crônicos, estão entre os públicos mais suscetíveis à pneumonia causada pela bactéria pneumococo. Mas, com a consolidação da vacinação infantil contra as doenças pneumocócicas nos últimos anos, houve o declínio de hospitalizações ligadas à doença nessa faixa etária1,2. Em contrapartida, verificou-se um aumento do volume de internações de pessoas a partir dos 50 anos de idade.
   
Em 2015, por exemplo, a parcela com 50 anos ou mais correspondia a 45,7% dos 626.321 hospitalizados por pneumonia nos hospitais ligados ao Sistema Único de Saúde (SUS), porcentagem que era de 32,5% para os pacientes com 4 anos ou menos.  Já em 2009, um ano antes do início da vacinação infantil em massa, as crianças de até 4 anos correspondiam à maioria dos casos, ou 39,8% das 808.350 internações motivadas pela doença no período, enquanto os adultos com 50 anos ou mais somavam 248.398 pessoas, ou 30,7% do total. A situação, portanto, praticamente se inverteu.
   
Promover uma mudança efetiva de hábito vacinal na população brasileira é um dos grandes desafios para o Brasil que envelhece. “A consolidação da vacinação infantil foi fundamental para o aumento da expectativa de vida. Agora, é preciso garantir o bem-estar dessa população que está envelhecendo e que, naturalmente, se torna mais vulnerável às infecções,” afirma a médica Isabella Ballalai, presidente da SBIm.
 
Pesquisa
  
Mesmo entre os adultos que conhecem a importância da prevenção contra as doenças pneumocócicas, dúvidas prevalecem. É o que mostra a pesquisa Retratos da Pneumonia realizada pelo Instituto Global Market Research, a pedido da Pfizer, com 600 pessoas residentes em seis capitais do País.  Embora 57% desses entrevistados tenham admitido que poderiam ter feito algo no passado para prevenir a pneumonia, o desconhecimento sobre as formas de proteção prevalece. Nenhuma das pessoas que acreditam que poderiam ter evitado a pneumonia citou a vacinação. Entre as respostas mais comuns aparece a falsa percepção de que evitar friagem poderia ter impedido o surgimento da doença, o que na verdade é um mito.
 
Confusões entre a prevenção da gripe e da pneumonia também se destacam no levantamento. A maioria das pessoas, ou 50,7%, acredita que a vacina contra a gripe protege também contra a pneumonia, quando na verdade a imunização contra cada uma das doenças é feita por meio de vacinas diferentes. No caso da vacina contra a pneumonia pneumocócica, por exemplo, basta uma única dose para que o adulto fique protegido durante toda a vida dos sorotipos contemplados pelo imunizante.
    
O levantamento mostrou também que a pneumonia, além de comprometer a saúde do paciente, impacta outras áreas de sua vida, com repercussões econômicas, sociais e emocionais. “São comuns prejuízos profissionais e perdas sociais relevantes, considerando a necessidade de internação em grande parte dos casos e de tratamento prolongado”, afirma o diretor médico da Pfizer, Eurico Correia. De fato, 66,2% dos entrevistados tiveram de se afastar do trabalho em função da doença. E por muito tempo: essa ausência durou, em média, 21 dias. Já o tratamento se estendeu por 28 dias, em média. Além disso, 59,3% dos participantes alegaram perdas sociais e emocionais significativas, como o afastamento da família e dos amigos, bem como a impossibilidade de comparecer a eventos únicos e importantes, como casamentos e formaturas.
 
De modo geral, 64,5% dos participantes, o que representa 387 pessoas, disseram que foram impactados de alguma forma pela pneumonia. Desses, 27,9% relataram que um familiar também se afastou do trabalho para auxiliá-lo. Ainda em relação aos impactos econômicos da doença, 46% dos entrevistados alegaram que enfermidade provocou o aumento dos custos domésticos. Quase a metade (49,1%) apontou gastos extras com transporte e 84,8% declararam que tiveram mais despesas com medicamentos.
 
A pesquisa envolveu pacientes com 18 anos de idade ou mais, moradores de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre e Curitiba. Quase quatro a cada dez pacientes (37,8%) foram internados. A hospitalização durou 14 dias, em média.

Campanha “Pneumonia pneumocócica tem vacina”
Dias: 22 e 23 de outubro              
Horário: 10 horas às 21 horas
Local: Shopping Iguatemi
Endereço: Avenida João Wallig, nº 1800, Passo da Areia

Referências:
 
1. Afonso, Eliane T. Effect of 10-Valent Pneumococcal Vaccine on Pneumonia among children, Brazsil. Emerging Infectious Diseases Journal.
2. Andrade, Ana Lucia. Evaluating the impact of PCV-10 on invasive pneumococcal disease in Brazil: A time-series analysis. Human Vaccines & Immunotherapeutics. Volume 12, Issue 2, 2016

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