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Dor neuropática é sensação crônica que afeta qualidade de vida

Certos problemas de saúde são graves por causa da dificuldade de diagnóstico e tratamento e pela maneira como interferem na qualidade de vida de quem convive com eles. É o caso da dor neuropática, um desconforto de alto grau, crônico, que não tem ligação com feridas, problemas musculares, de ligamentos nem dos ossos.

 

“A dor neuropática é consequência de lesões que ocorrem em nervos, na medula da coluna ou no próprio cérebro”, explica o neurologista Carlos Maurício de Castro Costa, presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED).

 

O problema é presença constante e afeta o dia-a-dia das pessoas que sofrem dele de diversas maneiras. “É bastante debilitante por fazer com que a pessoa sinta diferentes sensações de dor, além de causar dificuldades para responder aos tratamentos”, completa o especialista.

 

Para que se tenha uma ideia da gravidade do problema, basta ver a posição que ele ocupa no sistema utilizado para medir a dor. “Usamos uma escala que vai de 0, onde não existe nenhuma dor, até 10, quando é insuportável. A dor neuropática fica próxima dos 10”, observa o neurologista.

 

Problema pode ser originado por outras doenças

 

De acordo com Costa, a dor neuropática pode ser causada por traumatismos, substâncias tóxicas, quimioterápicos, tumores que causam compressão e por acidente vascular cerebral (AVC), entre outras doenças.

 

Uma das principais enfermidades relacionadas à dor neuropática é o diabetes. “Essa doença causa um ‘descascamento’ dos nervos, o que leva a dor e dormência nos pés, por exemplo. Se houver uma a regeneração dessa casca do nervo, a amialina, então esses pacientes podem melhorar da dor”, explica o médico.

 

O neurologista diz que não há idades ou perfis mais propensos a terem dor neuropática, mas destaca algumas situações nas quais é maior a possibilidade de que o problema ocorra. “Pessoas que se expõem a traumatismos terão essa condição mais facilmente, assim como aquelas que fazem quimioterapia prolongada e quem tem lesão da medula por acidente, por arma de fogo e também pelo AVC, que prejudica do ponto de vista motor e sensitivo”, explica Costa.

 

Diagnóstico da dor neuropática envolve múltiplos fatores

 

Descobrir a dor neuropática não é uma tarefa fácil pois, de acordo com Costa, é preciso um especialista que saiba examinar o paciente do ponto de vista neurológico. “Uma maneira de fazer esse diagnóstico é pela queixa do paciente, pela descrição do que ele sente, de como é a dor”, afirma o neurologista.

 

Junto a essa questão, explica o especialista, devem ser realizados outros exames. Se a lesão for em um nervo periférico (do sistema nervoso periférico), o paciente precisa fazer uma eletroneuromiografia, que vai apontar em que nervo está o problema e onde exatamente se localiza. Se o problema for relacionado com o cérebro ou a medula, ou seja, no sistema nervoso central, é preciso realizar uma ressonância magnética.

 

Tratamento e prevenção da dor neuropática

 

Assim como diagnosticar, tratar a dor neuropática também é difícil. “Basicamente, há certa sensibilização do nervo periférico ou dos neurônios do sistema nervoso central e essas estruturas ficam irritadas. É necessário acalmá-las, o que é feito por meio dos medicamentos corretos, que aliviam a dor”, explica Costa.

 

O neurologista alerta para o fato de que, em muitos casos, a dor neuropática não responde bem aos tratamentos e, junto a essa questão, há o fato de que não são utilizados os remédios adequados. ”Usar anti-inflamatório, por exemplo, não vai ajudar. Existem drogas especificas. No caso do diabetes, tratar dessa doença não necessariamente vai fazer a pessoa melhorar da dor. É preciso reconstituir o nervo”, observa o neurologista.

 

Outros fatores também são necessários para cuidar da dor neuropática. “É uma condição que precisa ser tratada do ponto de vista multidisciplinar, envolvendo psicologia, fisioterapia, acupuntura, todos os outros métodos que podem ajudar o paciente”, afirma costa, que completa: “os medicamentos têm efeito analgésico. A capacidade de regeneração do nervo vai depender do sistema nervoso”.

 

Prevenir a dor neuropática não é fácil, mas há como tomar algumas atitudes nesse sentido. “Seria preciso evitar traumatismos, o desenvolvimento de diabetes, de câncer, a questão da quimioterapia, que é uma consequência. Os cuidados com a dor neuropática entram na prevenção geral das doenças, aquilo que pode ser evitado por diagnóstico precoce, por exemplo”, conclui Costa.