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Fumante passivo pode consumir até quatro cigarros por dia

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), mais de 4.700 substâncias tóxicas são jogadas no ar pela fumaça do cigarro. Os prejuízos à saúde envolvem tanto os fumantes de fato quanto os chamados passivos, aqueles que apenas inalam a fumaça que sai da ponta do cigarro, principalmente em ambientes fechados. Quem “fuma” involuntariamente, geralmente filhos e esposas de tabagistas, pode chegar a consumir o equivalente a quatro cigarros por dia.

 

João Paulo Becker Lotufo, pediatra e coordenador do Projeto Antitabágico do Hospital Universitário (HU) da USP, revela algo que costuma passar despercebido: o fumante acaba sendo passivo do seu próprio hábito de fumar. “Além de tragar a fumaça, ele também inala aquela que sai da ponta do próprio cigarro e de outros tabagistas no mesmo ambiente”, revela o médico.

 

Entre os fumantes passivos, uma classe bastante prejudicada é a dos garçons. “Em locais fechados, como restaurantes, uma concentração de mais de 10 partículas de substâncias tóxicas já é nociva. Casas noturnas podem apresentar milhões”, diz o especialista.

 

Outras formas de consumo de tabaco, como charutos, cachimbos e narguilés, são até mais nocivas do que próprio cigarro, pois não possuem filtro. “Fumar narguilé por 1 hora equivale a cerca de 100 cigarros”, compara Lotufo.

 

Fumo passivo em crianças

 

Lotufo conta que 24% das crianças de 0 a 5 anos que chegam ao pronto-socorro do HU com problemas respiratórios apresentam cotinina (uma substância derivada da nicotina) na urina.

 

Entre os efeitos do fumo passivo em crianças estão:


• Infecções de ouvido (otite) reincidente. O risco aumenta 21% se o pai for fumante, 38% a mãe e 48% caso ambos tenham o vício;
• Aumento na incidência de resfriados;
• Bronquites, com risco aumentado em 72% se a mãe fuma e 29% se outro membro da família faz o uso de tabaco;
• Ataques de asma, que podem aumentar em 14% (pai fuma), 38% (mãe) e 48% (os dois);
• Pneumonia, 
• Rinite aguda;
• Morte súbita em lactentes (geralmente de até 1 ano de idade): risco multiplicado por dois.

 

O fumo e as doenças associadas

 

Segundo o Inca, 16% da população brasileira acima de 18 anos é fumante (27 milhões de pessoas). Do total de habitantes no Brasil, 19,1% dos homens fumam, contra 11,9% das mulheres. O índice de mortalidade em tabagistas é alto: 200 mil por ano. Dos passivos, 2.655 morrem anualmente, sendo 63% mulheres. “Em esposas que não fumam, mas que têm marido fumante, os riscos de acidente coronário e de câncer no pulmão aumentam em 25%”, relata o pediatra do HU.

 

Fumantes adultos são candidatos a sofrer doenças coronarianas (angina e infarto do miocárdio), doenças pulmonares e cardiocirculatórias, podendo passar por amputações por falta de circulação, além de cânceres (de pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga e colo de útero). Ao contrário do que muita gente acredita, a nicotina (droga do cigarro que provoca a dependência) não causa câncer, mas sim outras substâncias contidas no fumo, como o alcatrão.

 

Lotufo conta que existem os fumantes forte dependentes (30%), médio (50%) e fraco (20%). Do trabalho que desenvolve no HU contra o fumo (www.tabagismo.hu.usp.br), o médico revela que “do último grupo atendido, apenas um paciente era fraco dependente. Os demais (28) eram forte. Cada vez mais estamos atendendo fumantes com dependência forte”. O pediatra também coordena o projeto Dr. Bartô (www.drbarto.com.br), que trata de maneira lúdica duas dependências muito graves, o tabagismo e o alcoolismo, com crianças e adolescentes.