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A trombose pode aparecer durante as viagens de férias

Em viagens longas de avião (ou mesmo de ônibus ou carro), a chamada “síndrome da classe econômica” (com pouco espaço entre as poltronas), impede que se estique as pernas e isto pode prejudicar a circulação ou mesmo favorecer o aparecimento da trombose venosa profunda (TPV), doença que provoca a formação de trombos (coágulos) nas veias mais profundas das pernas. Antes de viajar, o ideal é procurar por um médico vascular, que poderá indicar o uso de meias elásticas de ou a prevenção do problema com medicamentos.

 

Isto ocorre porque o organismo possui um sistema de coagulação ativo. Quando alguém sofre um ferimento qualquer, por exemplo, o sangue escorre por um tempo e depois é coagulado. O mesmo acontece com a TPV, só que dentro das veias, formando os trombos. 

 

“Durante a viagem, é aconselhado fazer movimentos com os pés, como se estivesse freando ou acelerando o carro, a cada 5 ou 10 minutos”, adverte José João Lopes, cirurgião vascular, membro efetivo da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) e membro da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia.

 

A formação dos coágulos nas veias ocorre por vários outros motivos, conforme explica Lopes. “É uma doença multifatorial que aparece, geralmente, em pacientes acima de 40 anos; em mulheres que fazem o uso de anticoncepcionais ou reposição hormonal com estrogênio e durante a gravidez, por conta da grande alteração hormonal, entre outros”, revela Lopes.

 


Fatores de risco para desenvolver a trombose

 

Pessoas que passaram por cirurgias, que ficaram inativas por muito tempo (como nos casos de hospitalização ou imobilização por conta de traumas provocados por acidentes), além das que têm a chamada trombofilia (tendência à trombose decorrente de alterações hereditárias), também podem apresentar o problema.

 

O fumo, o sedentarismo e a obesidade, além dos problemas relacionados, como as alterações do colesterol e triglicérides, podem aumentar a viscosidade do sangue favorecendo o surgimento dos trombos.

 

A gravidez é um momento no qual a trombose pode aparecer com mais frequência. “Com o aumento dos hormônios, principalmente no segundo trimestre, ocorre a compressão do útero nas veias da perna, que vai provocar uma pressão contrária da circulação sanguínea. A trombose também pode surgir no pós-parto, quando ocorre a reabsorção de todo líquido e inchaço pós gravidez”, conta o especialista.


O tratamento da trombose é à base de medicamentos

 

Metade das tromboses não apresenta sinais clínicos. Muitas vezes, são investigadas devido ao aparecimento de dor e inchaço repentinos nos membros inferiores. O exame que detecta a doença é o eco-Doppler colorido. “Em 95% dos casos, o tratamento é medicamentoso, com comprimidos ou injeções subcutâneas de anticoagulantes (para diminuir a viscosidade do sangue e dissolver o coágulo). As cirurgias são raras, só mesmo em situações muito graves”, explica o especialista.

 

Se não diagnosticada e tratada, a trombose pode evoluir para casos agudos e crônicos. O primeiro pode provocar uma embolia pulmonar (quando o coágulo se desprende da veia e segue o trajeto da circulação sanguínea até chegar aos pulmões, obstruindo uma artéria). Já com o problema na fase crônica, o inchaço na perna é constante e favorece o aparecimento de varizes.

 

Mulheres que já tiveram trombose não podem mais fazer o uso de pílulas anticoncepcionais, assim como também não devem fumar. “O ideal é ter uma vida saudável e praticar exercícios aeróbios, como caminhada, natação, corrida e hidroginástica, já que o sedentarismo é um fator de risco para a trombose”, recomenda o cirurgião.