Skip directly to content

Menopausa e climatério, qual a diferença?

Confundir menopausa com climatério é muito comum. Afinal, são dois termos “irmãos”, que se referem à mesma fase da vida da mulher, mas servem para designar momentos diferentes desse processo.

 

Segundo o ginecologista e obstetra Luciano de Melo Pompei, diretor-secretário da Comissão de Climatério da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a menopausa é a última menstruação, que geralmente ocorre por volta dos 50 anos. Com a chegada da menopausa, a mulher já não pode mais engravidar de forma natural – é o fim de seu tempo reprodutivo.

 

Já o climatério é o conjunto de sintomas que surgem antes e depois da menopausa, causados, principalmente, pelas variações hormonais típicas desse período, e que podem ocasionar uma série de flutuações no ciclo menstrual. Nessa fase de transição, é comum que as menstruações fiquem mais espaçadas. Por isso, a menopausa só é “diagnosticada” após a mulher passar pelo menos 12 meses sem menstruar.

 

Apesar de ser mais comum perto dos 50 anos, é normal que a menopausa ocorra um pouco mais cedo, aos 40. Antes disso, diz o médico, é precoce. E quando ela ocorre bem depois dos 50 anos, é considerada tardia.

 

Características do climatério incluem baixa produção de hormônios

 

Com o fim da menstruação, há uma diminuição na produção dos hormônios sexuais femininos, o que pode resultar em uma série de mudanças no corpo da mulher, sentidas a curto, médio e longo prazos.

 

No curto prazo, diz o especialista, a aproximação e a chegada da menopausa podem causar calor, alteração no humor – com possíveis episódios de irritação e depressão -, tontura, dor de cabeça e baixa libido. A médio prazo, além da diminuição do desejo sexual, pode ocorrer também atrofia urogenital, com o afinamento e o ressecamento da mucosa que reveste a vagina, causando, em muitos casos, dor durante o sexo.

 

A longo prazo, pode haver uma maior propensão não só à osteoporose, mas também a doenças cardiovasculares, pois um dos hormônios sexuais femininos, o estrogênio, protege o coração e os vasos sanguíneos das mulheres. Com a produção deste hormônio em queda, essa proteção natural diminui.

 

Pompei esclarece ainda que o climatério é um fenômeno natural, que ocorre com todas as mulheres. E que a maior parte delas, cerca de 80%, apresenta sintomas em menor ou maior intensidade.

 

Consequências do climatério devem ser tratadas caso a caso

 

Por essa razão, é importante ressaltar que cada paciente deve ser avaliada individualmente. Não há um tratamento único para as possíveis consequências do climatério, pois as reações à baixa hormonal variam. A atenção individual é necessária não apenas para determinar o tratamento melhor e mais seguro, mas ainda para verificar sua aceitação.

 

O ginecologista explica que a reposição hormonal é o tratamento mais utilizado. Entretanto, é necessário avaliar se não existem contraindicações, como histórico de câncer de mama e de endométrio. Ou, ainda, uma limitação relativa, como a trombose.

 

Para esses casos, afirma Pompei, existem outros tratamentos eficazes sem a utilização de hormônio.

 

Outra opção é o tratamento com fito-hormônios, que são de origem vegetal e têm composição parecida com a das substâncias produzidas pelo organismo. No entanto, apesar de terem ação similar, eles são, geralmente, menos potentes, e também apresentam contraindicações e efeitos colaterais. Por isso, só o médico pode prescrevê-los, alerta o especialista.

 

Hábitos saudáveis podem amenizar climatério

 

Segundo o ginecologista, pesquisas indicam que um estilo de vida saudável, com alimentação balanceada, exercícios regulares e lazer, pode aliviar os sintomas do climatério – que além de serem causados pelas variações hormonais, também são fortemente influenciados pelo nível de estresse.

 

Uma providência que a mulher deve tomar o quanto antes é evitar o tabagismo. O hábito, além de causar uma série de doenças cardiorrespiratórias e câncer, pode antecipar a ocorrência da menopausa em um a dois anos.

 

A atividade física e a ingestão de alimentos ricos em cálcio ajudam a mulher a alcançar um maior pico de massa óssea na juventude, o que pode funcionar como uma espécie de reserva para minimizar a osteoporose. O desenvolvimento e o agravamento da doença, que causa perda gradual de massa óssea, aumentando o risco de fraturas, podem acontecer em decorrência da menopausa.

 

Porém, ressalta Pompei, é fundamental que haja um acompanhamento médico global, pois além da parada na produção de certos hormônios, existem outros fatores que levam ao surgimento do problema.

 

Segundo o especialista, a idade e a herança genética também influenciam. Aliás, a osteoporose deve-se em cerca de 60% ao aspecto genético.

 

Fonte adicional

 

- Manual de atenção à mulher no climatério/menopausa:
portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/manual_climaterio.pdf