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Tabagismo e obesidade estão entre maiores causadores do câncer de rim

Todos os anos, entre sete e dez de cada 100 mil brasileiros sofrem de um tipo de tumor maligno especialmente perigoso, por se desenvolver lentamente e ser de difícil diagnóstico: o câncer renal, que corresponde a cerca de 3% das ocorrências desse tipo de doença.

 

O urologista Celso Heitor de Freitas Júnior, do Serviço de Uro-Oncologia do Hospital de Câncer de Barretos, diz que descobrir onde o câncer renal está exatamente é difícil por causa da localização dos rins. “Ficam ‘escondidos’ numa região do abdômen chamada retroperitôneo, recobertos pelo intestino e ao lado da coluna vertebral”, explica o especialista.

 

“Atualmente, de 40% a 60% dos tumores renais são descobertos por acaso, devido à realização de exames solicitados para analisar outros problemas, como dor nas costas, dor de barriga etc. Apenas 10% dos pacientes apresentam os sintomas mais comuns do câncer de rim provocados pelo crescimento do tumor”, completa Freitas.

 

O urologista explica que são quatro os principais tipos de câncer de rim, sendo o mais freqüente o chamado carcinoma renal de células claras, que representa de 70% a 80% das ocorrências da doença.

 

Câncer renal atinge dois homens para cada mulher

 

De acordo com Freitas, os grupos de pessoas com maior probabilidade de desenvolver o câncer de rim são tabagistas, obesos e idosos (especialmente os do sexo masculino e que fumam). Esses últimos, devido à síndrome metabólica (conjunto de ocorrências, como gordura na região do abdômen e pressão alta).

 

Além disso, o especialista chama a atenção para o risco bastante aumentado de câncer de rim em pacientes de hemodiálise, por causa da própria insuficiência renal crônica. “Cerca de 80% desenvolvem a chamada doença renal cística adquirida, e 1% a 2% evoluem com o câncer”, explica Freitas.

 

“Algumas doenças genéticas também aumentam a probabilidade de ocorrência: esclerose tuberosa (situação em que tumores benignos crescem em vários órgãos como cérebro, rins e olhos) e a síndrome de Von Hippel-Lindau (provoca o crescimento de cistos e tumores pelo corpo)”, completa o especialista.

 

Entre os que de fato desenvolvem o problema, a proporção é de dois homens para cada mulher. Isso porque, explica o urologista, elas contam com uma defesa natural: “fatores hormonais (estrógeno) poderiam resultar em proteção frente ao risco do câncer renal. Há também a questão dos hábitos de vida masculinos, mais sujeitos aos fatores de risco tabagismo e obesidade”.

 

Como é feito o diagnóstico do câncer de rim

 

O câncer renal apresenta sintomas visíveis em cerca de 40% dos casos, explica Freitas. Já em 20% das pessoas com a doença, ocorre a manifestação de diversas síndromes chamadas paraneoplásicas, que têm como alterações mais frequentes: “hipertensão arterial, alterações do fígado, elevação dos níveis de cálcio sanguíneo, aumento do volume/tamanho das mamas e alterações hormonais”, afirma o urologista.

 

Para que seja feita a confirmação da presença da doença, o especialista afirma que são necessárias avaliações de imagem, sendo o ultrassom de abdômen o mais freqüente. “Havendo algum nódulo, o próximo exame é a tomografia computadorizada, bastante confiável para sugerir se um tumor é maligno ou benigno”, observa.

 

“Outros exames que também podem ser solicitados são: ressonância nuclear magnética (para analisar alterações vasculares e cistos mais complexos nos rins, por exemplo), tomografia computadorizada do tórax (avaliação de metástases –disseminação da doença- nos pulmões) e cintilografia óssea (avaliação de metástases ósseas)”, completa Freitas.

 

Cura do câncer renal depende do tamanho dos tumores nos rins

 

Diagnóstico precoce é essencial para a cura de qualquer câncer. No caso dos rins, o urologista explica que é preciso atenção para o tamanho dos nódulos. “Tumores com até 4 cm de diâmetro têm menor risco de desenvolverem metástases. Dessa forma, aceita-se que aqueles menores que 3 ou 4 cm têm melhor chance de cura frente ao tratamento”, enfatiza Freitas.

 

O câncer renal, afirma o especialista, tem baixa resposta à quimio e radioterapia. Portanto, a melhor alternativa de tratamento é a cirurgia. “É a chamada nefrectomia, que significa retirada do rim. Atualmente, a principal forma de operação é a laparoscopia, um método minimamente invasivo. A realização de cirurgia parcial, ou seja, a não retirada total do órgão, tem sido cada vez mais buscada, pelo fato de preservar a função do rim como um todo, sem prejudicar o controle da doença”, completa o urologista. 

  

Apesar das possibilidades cada vez mais eficientes de tratamento, o melhor remédio ainda é a prevenção. E, para o câncer de rim, essa questão passa por “mudanças nos hábitos de vida, como não fumar, praticar atividade física e combater a síndrome metabólica por meio do controle do peso corporal (índice de massa corpórea)”, conclui Freitas.