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Ansiedade, distúrbio que atinge a população das grandes cidades

O coração bate acelerado, as mãos começam a suar. Na cabeça, milhares de pensamentos ao mesmo tempo. Esses são os sintomas mais comuns de quem sofre de ansiedade, mal que atinge a quase 20% da população de São Paulo, de acordo com o estudo epidemiológico São Paulo Megacity Mental Health Survey. Segundo a pesquisa, 29,6% dos indivíduos na Região Metropolitana da maior cidade do Brasil apresentaram transtornos mentais nos 12 meses anteriores à entrevista. Os transtornos de ansiedade foram os mais comuns, afetando 19,9% dos entrevistados. Em seguida, aparecem transtornos de comportamento (11%), transtornos de controle de impulso (4,3%) e abuso de substâncias (3,6%).

 

De acordo com a mestre em Psicologia na área de Neurociências e Comportamento pela USP Sâmia Aguiar Brandão Simurro, Vice-Presidente de Projetos da Associação Brasileira de Qualidade de Vida, os motivos da ansiedade são inúmeros e dependem do tipo de situação ou objeto temido. Ela também afirma que é preciso saber diferenciar a ansiedade normal e adaptativa, da patológica. “Algumas situações podem gerar uma reação normal ao estressor onde o organismo reage adequadamente àquela tensão. A ansiedade é considerada patológica quando a reação ocorre mesmo sem um motivo desencadeador ou ela é exagerada e desproporcional ao que aquela situação exige”, esclarece a especialista. A profissional acrescenta ainda que as mulheres sofrem mais do problema do que os homens. “O Instituto Nacional de Saúde Mental nos Estados Unidos (NIMH) estima que elas sejam muito mais afetadas que os homens, já que dois terços dos diagnósticos de ansiedade são do sexo feminino. No Brasil, os dados não são tão precisos sobre a prevalência de ansiedade na população, mas tudo leva a crer que a situação seja semelhante”, explica.

 

Qualquer pessoa sofre, em maior ou menor grau, de ansiedade. Mas, o transtorno merece atenção redobrada quando se percebe que a crença de vulnerabilidade ou ameaça está acima do controle, impactando nas atividades diárias e relações de forma prolongada e profunda. Nesse momento, o melhor a fazer é buscar ajuda de um especialista, já que as consequências podem ser sérias. “A ansiedade descontrolada tem grande impacto na vida de uma pessoa, podendo fazer com que ela viva em constante e exagerada apreensão e insegurança, ao ponto de não conseguir lidar com problemas normais. Além disso, a ansiedade excessiva pode gerar angústia e problemas físicos como dores de cabeça, náuseas, dores no corpo e problemas de estômago”, garante Sâmia.

 

O tratamento por meio de psicoterapia procura tratar a ansiedade ajudando a pessoa a identificar, avaliar e modificar este modo de funcionamento, os julgamentos de perigo, controle e os comportamentos que podem estar mantendo essa ansiedade em níveis elevados. Em alguns casos, é preciso também uma avaliação psiquiátrica para uma medicação adequada.
 


Fontes:


Estudo epidemiológico dos transtornos psiquiátricos na região metropolitana de São Paulo: prevalências, fatores de risco e sobrecarga social e econômica
http://www.bv.fapesp.br/pt/auxilios/1305/estudo-epidemiologico-transtornos-psiquiatricos-regiao/ - Acesso em 18/04/2013


Mental disorders in megacities: findings from the Sao Paulo megacity mental health survey‚ Brazil
http://www.bv.fapesp.br/pt/producao-cientifica/56980/mental-disorders-megacities-findings-sao/ - Acesso em 18/04/2013


Sâmia Aguiar Brandão Simurro, Vice-Presidente de Projetos da Associação Brasileira de Qualidade de Vida