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Medicação de crianças exige atenção redobrada por parte dos pais

Crianças e adultos podem utilizar medicamentos iguais ou similares. É essencial, porém, ter a certeza de que a dosagem para os pequenos seja adequada, esclarece o pediatra Paulo Poggiali, presidente da Sociedade Mineira de Pediatria (SMP).

 

O principal risco de errar nesse tipo de medicação para crianças é a intoxicação por doses exageradas ou por desconhecimento das consequências, afirma o especialista, que completa: “quanto menor a criança, maior o risco de efeitos colaterais de certos medicamentos, mesmo com doses recomendadas na bula. No que diz respeito a bebês, alguns remédios podem levar a criança a quadros graves, com internação em UTI”.

 

O problema, de acordo com o pediatra, está na “cultura da automedicação”, bastante comum entre adultos e que faz com que as pessoas mediquem os filhos com as mesmas regras que adotam para elas mesmas. “Desconhecem o fato de que crianças não são miniaturas de adultos e precisam de prescrições que respeitem as medidas corporais, o peso e a faixa etária”, observa Poggiali.

 

Há, ainda, outros problemas que podem resultar da automedicação em crianças “O uso indiscriminado de antibióticos sem adequada indicação (a maioria das infecções respiratórias em bebês e crianças é causada por vírus que não respondem aos antibióticos) pode causar o aparecimento de bactérias resistentes, que exigem tratamentos caros e que, frequentemente, levam a internação, aumentando muito o risco de morte para os pacientes”, alerta o pediatra.

 

Desse modo, a automedicação deve ser evitada a qualquer custo. “Em caso de urgência, deve-se levar a criança ao seu pediatra ou a um pronto atendimento pediátrico; consultar o médico dela por telefone ou ligar para o Centro de Informações Toxicológicas da sua região. Na impossibilidade absoluta de todas estas ações, é preciso ler a bula do medicamento antes de tomar qualquer atitude”, orienta Poggiali

 

Uso de colher em vez de medidor está entre principais erros ao medicar crianças

 

Quando necessário, medicamentos trazem na embalagem um medidor para que não haja erro na dosagem. Muitas vezes, porém, esse instrumento é deixado de lado na hora de medicar crianças. “Assim, tem-se o uso de doses insuficientes ou por tempo menor que o necessário. Ou, ainda, com medidas erradas, como ‘colheres das de chá’ em tamanhos variados, com capacidade para volume maior ou menor que o desejado”, observa o pediatra Paulo Poggiali.

 

Assim, além de usar as medidas corretas, o especialista recomenda que sejam sempre seguidas as recomendações do médico. “Situações com sintomas parecidos podem resultar em diversos diagnósticos, cada um com um tratamento diferente. Só o profissional pode definir corretamente qual é o problema e determinar a terapia adequada”, alerta.

 

Para que os pais possam saber mais sobre a medicação de crianças e evitar problemas, o especialista chama a atenção para as consultas de puericultura. “Começam no quinto dia após o parto, são mensais no primeiro semestre de vida, bimensais de 6 a 12 meses e trimestrais no segundo ano de vida. A seguir, devem acontecer a cada seis meses até 4 anos e anualmente até o final da adolescência. Essas consultas permitirão aos pais receber orientações, inclusive, sobre a prevenção de acidentes e o uso adequado de medicamentos”, conclui Poggiali.