Skip directly to content

Seu coração

Angina

Este texto irá esclarecer dúvidas sobre:

• O que é angina?
• Como ela se desenvolve?
• Por que é tão importante receber tratamento médico?
• Como você pode cooperar com o seu médico para controlar a doença?
• Como conviver melhor com a angina?

Portanto, o propósito deste texto é oferecer a você um melhor entendimento sobre angina para que você possa ser parte ativa no controle da doença e encontrar a melhor maneira de conviver com ela.

Como funciona o coração?

O entendimento de como funciona o seu coração ajudará você a entender a angina. Coloque dois dedos sobre o seu pulso e espere um momento para senti-lo. Ele é rítmico, constante e forte atestando a existência de uma máquina maravilhosa que comanda seu corpo inteiro. O coração na verdade é um órgão oco, cujo tamanho aproxima-se a de um punho fechado, e que funciona como uma bomba para promover a circulação do sangue através do corpo inteiro. Com cada batimento cardíaco, a forte parede muscular do coração, chamada de miocárdio, se contrai e força a saída do sangue do coração para os vasos sangüíneos distribuídos pelo corpo inteiro. Seu coração é uma bomba altamente eficiente: no decorrer do dia, ele bombeia entre 7.000 e 8.000 litros de sangue.

O coração, na realidade, trabalha como uma dupla bomba. O lado direito bombeia sangue para os pulmões, onde recebe oxigênio. O lado esquerdo bombeia este sangue rico em oxigênio para todo o corpo, enviando oxigênio para as células.

O que é o sistema circulatório?

O sistema circulatório é o sistema orgânico responsável pelo transporte de oxigênio e nutrientes para todas as células do seu corpo através do sangue. O coração e os vasos sangüíneos compõem o sistema circulatório.

O sangue é bombeado do coração para vasos denominados artérias, que têm aproximadamente a grossura de um dedo polegar no ponto em que deixam o coração. Estas artérias se ramificam como uma árvore, partindo para diferentes partes do seu corpo, onde se tornam artérias de menor calibre chamadas de arteríolas, as quais se subdividem em vasos chamados capilares. Os capilares canalizam o oxigênio e os nutrientes para as células.

Qual é o papel das artérias coronárias?

As artérias coronárias são vitais para a saúde do coração porque são as artérias que suprem o coração com o oxigênio e nutrientes que ele necessita para funcionar.  Embora o coração forneça sangue e oxigênio para o resto do corpo, ele ainda precisa ter seu próprio suprimento de sangue que lhe é trazido por suas próprias artérias. As artérias coronárias se ramificam em pequenos vasos que transportam sangue durante todo o tempo para todas as partes do coração.

O que é insuficiência coronária e como ela se desenvolve?

Insuficiência coronária é um estreitamento ou bloqueio gradual das artérias coronárias devido ao acúmulo de depósitos de gordura chamada placa. Trata-se de um processo que geralmente começa cedo na vida e continua por muitos anos. Pense em canos de ferro velhos e no que acontece quando a ferrugem fica impregnada no interior dos mesmos. O acúmulo de ferrugem pode reduzir o fluxo da água para um fio. A mesma coisa acontece com as artérias coronárias, embora neste caso os “canos” não sejam rígidos; elas são flexíveis, e seu diâmetro pode variar no decorrer do dia. Os depósitos de gordura acumulados nas artérias coronárias durante vários anos reduzem o fluxo de sangue. Este processo é chamado de aterosclerose. Em algumas pessoas, as artérias coronárias podem estreitar-se rapidamente e a tal ponto que muito pouco ou nenhum sangue poderá fluir através delas. Isto é chamado de espasmo coronáriano.

As artérias são essenciais para o transporte de nutrientes ao coração, e quando elas se tornam entupidas ou entram em espasmo, o coração é colocado em risco de “inanição” por privação de um suprimento adequado de oxigênio. A isquemia miocárdica ocorre quando o fluxo de nutrientes ao coração é diminuído ou interrompido, ou é inadequado para as necessidades do músculo cardíaco neste momento. A insuficiência coronária é uma importante causa de problemas coronarianos mais sérios, tais como infarto do miocárdio, comumente chamado de “ataque cardíaco”.

O que é angina?

Angina pectoris significa literalmente “dor no peito”. É dor ou desconforto que ocorre quando uma ou mais artérias coronárias não estão fornecendo suficiente oxigênio para atender as necessidades do coração.

Por ser a angina um sintoma de isquemia miocárdica, ela é geralmente descrita como isquemia miocárdica sintomática.

A angina ocorre com maior freqüência durante o exercício ou condição de estresse emocional porque é nesta situação que você faz o seu coração trabalhar mais. Para trabalhar mais, seu coração precisa de mais oxigênio. Se suas artérias coronárias não conseguem suprir o oxigênio extra quando o coração necessita dele, você sente a dor e o desconforto provocados pela angina.

No entanto, é importante entender que uma deficiência repentina de oxigênio no coração e episódios de piora da isquemia miocárdica podem ocorrer sem causar dor ou outros sintomas perceptíveis.

Tais episódios indolores são geralmente descritos como isquemia silenciosa ou assintomática e, em muitos indivíduos, pode ocorrer mais freqüentemente que as crises dolorosas.

Também é importante entender que a isquemia miocárdica silenciosa apresenta o mesmo risco dos episódios dolorosos em conduzir a problemas cardíacos mais perigosos, tais como ataques cardíacos e, por fim, insuficiência cardíaca.

Angina significa o mesmo que ataque cardíaco?

Não! Angina não é um ataque cardíaco. Na angina, o fluxo de sangue e oxigênio para o coração é temporariamente reduzido, geralmente porque as artérias coronárias se tornaram mais estreitas. No ataque cardíaco, o fluxo de sangue e oxigênio para uma parte do coração é repentina e permanentemente cortado porque uma artéria coronária está completamente bloqueada. Como resultado, essa parte de músculo cardíaco morre.

Portanto, uma crise de angina pode não causar lesão permanente ao coração, enquanto que um ataque cardíaco sim.

Nem todas as pessoas com angina invariavelmente sofrerão um ataque cardíaco, mas o risco de ter um ataque cardíaco é aumentado quando a pessoa sofre de angina.

Quais são os diferentes tipos de angina?

O tipo de angina conhecido pela maioria das pessoas é chamado de angina crônica ou estável. É o tipo de angina que ocorre durante atividade física ou estresse emocional. Ela ocorre quando o coração necessita de uma quantidade de oxigênio e sangue maior do que as artérias coronárias podem suprir. A angina estável é mais comum durante o exercício ou esforço; o coração recebe oxigênio suficiente durante o repouso. A angina estável está ligada à aterosclerose, já discutida anteriormente.

Um outro tipo de angina é a chamada angina instável. As pessoas com angina instável podem ter dor no peito tanto em situação de repouso como em situação de esforço. A angina instável pode ser mais dolorosa que a angina estável, e a intensidade da dor é mais imprevisível.

Durante um dado período, os episódios geralmente aumentam em freqüência e duração, e também existe um risco maior de desenvolvimento de um ataque cardíaco.

Um terceiro tipo de angina é chamado de angina variante ou atípica, na qual a dor no peito habitualmente ocorre mais quando a pessoa está repousando ou dormindo do que quando está em atividade. Acredita-se que este tipo de angina seja causado por uma constrição ou “espasmo” das artérias coronárias. O espasmo estreita as artérias e reduz o suprimento de sangue e oxigênio destinado ao coração.

Por último, existe a angina mista, a qual acredita-se ser o tipo mais comum de angina. Ela pode resultar tanto de um aumento na quantidade de oxigênio requerida pelo coração e de uma diminuição na quantidade disponível. Esta angina é causada por uma combinação de estreitamento aterosclerótico e contração das artérias que fornecem sangue para o coração. A angina mista pode ocorrer durante o repouso, ou durante o estresse emocional. Além disso, a angina pode ocorrer quando você está exposto ao frio.

Durante que parte do dia as crises de angina estável crônica são mais prováveis de ocorrer?

Embora as crises possam ocorrer a qualquer hora do dia ou da noite, elas ocorrem mais freqüentemente nas primeiras horas da manhã. Uma provável razão seria que durante o curso de 24 horas, que é chamado de período circadiano, um padrão de alterações ocorre na pressão sangüínea, no coração, nos vasos sangüíneos e em partes do sistema de coagulação do sangue. As alterações que podem tornar uma pessoa mais suscetível a episódios de angina, isquemia miocardíaca silenciosa, e mesmo ataques cardíacos, ocorrem nas primeiras horas da manhã. No entanto, é necessária uma pesquisa mais aprofundada para confirmação destes fatos. Uma outra possibilidade é que os efeitos benéficos de certas medicações, mesmo quando tomadas ao deitar, para tratamento ou prevenção de angina e isquemia miocárdica silenciosa, podem não se estender até as primeiras horas da manhã, quando as crises têm maior probabilidade de ocorrer.

Como é a dor provocada pela angina?

É importante observar que a dor experimentada por crises de angina não será igual para duas pessoas. A sensação de dor e desconforto, onde ela se localiza, e a freqüência com que ela ocorre variam enormemente de uma pessoa para outra. Em geral, a dor ou desconforto é breve, durando apenas alguns minutos. Pacientes a têm descrito como uma sensação de peso, tensão, queimação, pressão, ou aperto, geralmente atrás do esterno (osso frontal do peito). Ela também dá a idéia de indigestão, falta de ar ou sufocação. E o desconforto pode se espalhar para outras partes do corpo, causando um entorpecimento ou dor nos ombros, braços ou pulsos, e dor na mandíbula, pescoço, garganta, dentes, gengivas, ou mesmo nos lóbulos das orelhas.

Embora a angina varie de pessoa para pessoa, em qualquer indivíduo a angina geralmente terá as mesmas características em todos os episódios. Isto significa que com cada episódio de angina, você provavelmente sentirá o mesmo grau de dor e desconforto na mesma parte do corpo e pelo mesmo espaço de tempo.

Por que é tão importante que eu conheça minha angina?

É importante que você conheça bem sua angina porque assim você saberá quando ficar preocupado se algo de diferente acontecer. Os principais aspectos que você deverá saber sobre sua angina são os seguintes:

• Que eventos costumam originar um episódio de angina, ou seja, que tipo de atividades;
• Que tipo de dor ou desconforto ocorre, onde ela se localiza, e se ela também é refletida em qualquer outra parte do corpo;
• Qual a duração da dor ou desconforto;
• Com que freqüência estes sintomas ocorrem;
• Com que rapidez eles são aliviados tomando uma medicação ou repousando, por exemplo.

Em que situações devo procurar ajuda médica?

• Se a dor ocorrer com maior freqüência;
• Se ocorrer em um momento não habitual;
• Se ocorrer ao mínimo esforço ou atividade;
• Se a duração da dor for superior à habitual;
• Se a dor se expandir para uma área mais ampla;
• Se a dor parecer mais intensa;
• Se a dor parecer um pouco diferente da habitual;
• Se a dor continuar mesmo após ter tomado sua medicação;
• Se a dor for acompanhada de falta de ar, náusea, ou uma sensação de falha ou irregularidade nos batimentos cardíacos.

Quaisquer destas alterações podem ou não sinalizar um problema sério, tal como ataque cardíaco. A única maneira de ter certeza é procurando ajuda médica.

Mantenha à mão os números de telefone de emergência de socorro médico em todos os momentos, principalmente o do seu médico, de um serviço de ambulância, do hospital mais próximo e, até mesmo, do distrito policial.

Como a angina é diagnosticada?

Para determinar se a dor que você sente no peito é causada por angina, o médico pode utilizar vários e importantes recursos diagnósticos. Entre estes se incluem sua história médica, um exame físico completo, e exames complementares.

Sua história médica normalmente inclui a descrição dos sintomas, uma revisão de quaisquer outros problemas de saúde de seus familiares, seus hábitos de vida, seu tipo de trabalho, suas atividades diárias e sua atitude geral frente à sua própria vida.

O exame geralmente inclui a medição de sua pressão arterial, pulsação, ascultação do seu coração e pulmões com um estetoscópio, e a verificação do seu peso. Além disso, amostras do seu sangue e urina para uma avaliação mais completa podem ser pedidas. Podem ser feitos também diferentes testes para verificar se seu coração está recebendo oxigênio suficiente e se existem quaisquer anormalidades na estrutura e funcionamento do seu coração e artérias coronárias. Estes testes acham-se descritos abaixo.

O que seu médico vai querer saber?

Seu médico vai querer saber tudo sobre sua dor no peito para obter uma história médica detalhada e precisa. É importante toda a sinceridade ao responder às perguntas feitas pelo seu médico.

E você deverá sentir-se à vontade para fazer ao médico quaisquer perguntas que você possa ter a respeito.

Alguns dos aspectos que seu médico quiser saber são:

• Como a dor é sentida por você;
• Quaisquer outros sintomas que você tiver além da dor, como falta de ar, por exemplo;
• Se a dor ocorre, por exemplo, quando você está executando determinadas atividades ou a uma determinada hora do dia;
• Em que local você sente a dor ou desconforto;
• Quanto tempo duram estes sintomas;
• Se a dor se expande para outras partes do corpo;
• O que você normalmente faz para aliviar a dor.

Seu médico também lhe perguntará sobre quaisquer outros problemas médicos que você ou membros da sua família têm ou tiveram. O médico também poderá querer saber aspectos relacionados ao seu estilo de vida, o tipo de trabalho que você executa, e, em particular, se você fuma, pratica exercícios, e que tipo de alimentos você come. Estes fatores de estilo de vida podem afetar seu risco de desenvolvimento de insuficiência coronária.

Finalmente, seu médico poderá perguntar sobre como você se sente com relação à sua vida, para ajudar a determinar o seu nível de estresse.

Que testes serão solicitados no seu caso?

O diagnóstico da angina realizado por um profissional de saúde pode ter como base a descrição dos sintomas pelo paciente, mas normalmente são necessários vários outros testes para poder determinar quão bem estão funcionando o coração e as artérias coronárias.

Lembre-se: a angina é somente um sintoma de insuficiência coronária, e, conforme mencionado anteriormente, você também pode ter uma insuficiência coronária “silenciosa”, sem sentir nenhuma dor ou desconforto provocados pela angina.

Seu médico pode recomendar qualquer um dos vários testes destinados a verificar a existência da doença e respectiva extensão. Muitas vezes, vários testes são necessários para dar ao seu médico um quadro mais completo da situação. Um teste realizado rotineiramente é o eletrocardiograma ou ECG. Este teste proporciona um traçado gráfico dos pequenos impulsos elétricos que controlam a atividade bombeadora de seu coração.

Pequenos discos metálicos são colocados em várias partes do seu corpo para captarem estes impulsos elétricos.

Os fios conectados aos discos transmitem os sinais para uma pena que imprime o padrão elétrico do seu coração em um papel milimetrado. Um tipo específico de ECG anormal pode indicar a existência de insuficiência coronária.

Um outro teste comumente solicitado é o ecg de esforço, que mostra como o seu coração responde ao estresse provocado pelo exercício. Para este teste, os fios colocados em seu corpo são conectados ao aparelho eletrocardiográfico e depois você será solicitado a caminhar em uma esteira rolante ou a pedalar uma bicicleta fixa. O ECG registra a resposta do seu coração ao exercício e normalmente detectará anormalidades se o seu coração não estiver obtendo quantidade suficiente de oxigênio.

Outros testes especiais e mais específicos podem ser pedidos:

• Teste com elemento radioativo tálio ou outros testes de medicina nuclear;
• Arteriografia coronária;
• Ecocardiografia;
• Cateterismo.

Quais são as metas de tratamento em angina?

As principais metas de tratamento são aliviar a dor, impedir o aparecimento de futuros episódios anginosos, e desacelerar a progressão de insuficiência coronária. O tratamento de angina pode ser conseguido através de medicamentos, cirurgia e controle de determinados fatores de risco que aumentam suas chances de desenvolvimento de insuficiência coronária.

Quais são as metas de tratamento em angina?

Os fatores de risco que você não pode controlar são chamados de fatores de risco “não–modificáveis”.

Estes incluem:

• Uma história de antecedentes familiares de doença cardíaca. Em outras palavras, se alguém em sua família sofre ou sofreu de insuficiência coronária, seu risco de ser portador ou de desenvolver o mesmo tipo de doença é maior;
• Pertencer ao sexo masculino, porque a insuficiência coronária ocorre mais freqüentemente em homens que em mulheres;
• Ter diabetes. Sabe-se atualmente que a manutenção de um nível adequado de açúcar no sangue, com o uso de medicações, reduzirá o risco de complicações ateroscleróticas;
• Avanço da idade.

Quais são alguns dos fatores de risco que você pode mudar?

Os fatores de risco que você pode controlar são chamados de fatores de risco “modificáveis”. Estes incluem:

• Pressão alta ou hipertensão;
• Hábito de fumar
• Estar com excesso de peso;
• Episódios de tensão nervosa e estresse excessivos;
• Uma alta taxa de colesterol em seu sangue.

Observação: existe um tipo de colesterol “bom” chamado HDL – colesterol que realmente ajuda a eliminar do corpo o colesterol, e um tipo “prejudicial” de colesterol chamado LDL – colesterol, que aumenta seu risco de desenvolvimento de insuficiência coronária.

Por que razão a pressão alta é um fator tão perigoso?

A pressão alta é considerada por muitos como um dos mais importantes fatores de risco de desenvolvimento de insuficiência coronária. Para entender porque a pressão alta é tão perigosa, você precisa entender o que é esta doença. Pressão arterial é uma medida de força com a qual seu sangue é pressionado sobre as paredes internas de suas artérias quando ele flui através delas. É perfeitamente normal que a pressão arterial se eleve no decorrer do dia ou quando você está nervoso ou agitado. Mas, ter pressão alta ou ser hipertenso, significa que sua pressão arterial é persistentemente mais alta do que deveria ser normalmente.

A pressão alta, ou hipertensão, é perigosa porque faz com que as paredes arteriais se tornem rígidas e espessas, impondo um esforço extra ao coração para manter o sangue em circulação através do corpo inteiro. A pressão alta também pode piorar seus episódios anginosos.

Por que é importante parar de fumar?

O fumo impõe uma carga de tensão ao seu coração. Ele faz com que seu coração bata mais rápido e reduza a quantidade de oxigênio que deve chegar ao músculo cardíaco. O fumo agrava sua angina e aumenta seu risco de ter um ataque cardíaco.

Além disso, os fumantes apresentam uma menor chance de recuperação de um ataque cardíaco que os não fumantes.

Obviamente, o melhor mesmo é nunca ter começado a fumar, mas se você é um fumante, você pode reverter parte do dano já causado deixando de fumar imediatamente. Quanto mais cedo você parar de fumar, mais rapidamente o seu risco de ter problemas cardíacos começará a diminuir. Na verdade, dentro de um ano após ter deixado de fumar, seu risco adicional de ter um ataque cardíaco será reduzido em cerca de 50%. Nunca é tarde para deixar de fumar, não importando por quanto tempo você alimentou esse vício.

Qual é a relação entre dieta e insuficiência coronária?

Determinados tipos de alimentos podem tanto elevar como baixar seus níveis de colesterol sangüíneo. E lembre-se: uma alta taxa de colesterol é um fator de risco ligado ao desenvolvimento de insuficiência coronária. Além disso, os resultados de estudos indicaram que quando os pacientes em níveis elevados de colesterol no sangue conseguem reduzi-los através de dieta adequada e medicação em até 1%, seu risco de ter um ataque cardíaco e de desenvolver doença cardíaca é diminuído em até 2%.

Uma dieta que contenha uma grande quantidade de alimentos gordurosos, especialmente aqueles ricos em gorduras saturadas (gorduras que são compactadas à temperatura ambiente) e colesterol, podem aumentar seus níveis de colesterol no sangue. Estes alimentos incluem:

• Óleos comestíveis ricos em ácidos graxos saturados, tais como óleo ou gordura de coco;
• Carnes gordas, tais como, de boi, de porco, de carneiro;
• Laticínios ricos em gordura, tais como manteiga, creme de leite e queijos fortes;
• Gema de ovos e alimentos preparados com gema de ovos;
• Miúdos em geral, como fígado, por exemplo.

Portanto, para controlar ou ajudar a reduzir seus níveis de colesterol sangüíneo, tente limitar sua ingestão dos alimentos acima relacionados para somente duas vezes por semana ou o que quer que o profissional de saúde tenha recomendado.

Opte por alternativas com baixo teor de gordura, tais como as seguintes:

• Carnes magras, aparando eventuais gorduras;
• Carne de frango ou de peru, sem pele;
• Frutos do mar, tais como filé de salmão, atum, linguado e de outros peixes;
• Laticínios com baixo teor de gordura, tais como leite, queijo e iogurte desnatado;
• Somente a clara do ovo, ao invés do ovo inteiro.

Além disso, os seguintes alimentos podem ajudar a reduzir seus níveis de colesterol sangüíneo. Não esqueça, só um profissional de saúde pode ajudá-lo a decidir pela melhor opção de tratamento.

Aveia em flocos, farinha de aveia, feijão e outros tipos de favas contêm um tipo de fibra que, em alguns estudos, demonstraram reduzir os níveis de colesterol sangüíneo.

Óleos vegetais, tais como de milho, açafrão, girassol, soja e de caroço de algodão são poli-insaturados, e também podem ajudar a reduzir o colesterol.

O óleo de oliva e os óleos de canola são óleos mono-insaturados e podem trazer mesmo mais benefícios em reduzir o colesterol do que os óleos poli-insaturados.

Peixes, tais como cavalinha, sardinhas e salmão contem uma substância gordurosa chamada “ácidos graxos ômega – 3” que mostraram reduzir o colesterol sangüíneo. Se o seu colesterol ainda estiver muito alto, depois de seguir uma dieta baixa em colesterol, você provavelmente irá precisar tomar uma medicação redutora de colesterol.

Como posso controlar meu peso?

O peso em excesso sobrecarrega o seu coração, forçando-o a trabalhar mais para obter o oxigênio extra de que necessita.

Conseqüentemente, estar com excesso de peso não somente pode agravar sua angina, mas também aumentar o risco de outros problemas que podem afetar o coração, tais como pressão arterial elevada, nível elevado de colesterol e diabetes.

Essa é a razão pela qual é tão importante reduzir seu peso para sua faixa normal e mantê-lo assim. De modo geral, para perder peso você precisa comer menos (consumir menos caloria) e exercitar-se (queimar mais calorias). Pense no controle de peso em termos de balanceamento; se você consome mais calorias do que queima, você ganhará peso, e se você consome menos calorias do que queima, você perderá peso.

Se você estiver com excesso de peso, seu médico, nutricionista ou outro profissional da saúde poderá ajudá-lo a planejar um regime de redução de peso que se adapte às suas necessidades particulares. Para que seu regime seja bem sucedido, alguns dos seus hábitos alimentares podem precisar ser alterados. Por exemplo, normalmente é útil:

• Comer porções menores em pratos menores;
• Comer mais lentamente e colocar o garfo no prato após cada bocado levado à boca;
• Faça suas refeições em apenas um mesmo local em sua casa;
• Coma frutas ou vegetais crus ao invés de comidas ou doces de alto teor calórico;
• Não se sinta obrigado a comer tudo o que está no seu prato;
• Jogue fora imediatamente tudo o que sobrar.

Por que razão o exercício é tão importante e como você poderia iniciar um programa de exercícios?

O exercício ajuda a manter sadio o seu coração, e também ajuda a fazer com que você se sinta melhor. Esta prática melhora sua circulação e faz com que seu coração, pulmões e outros músculos funcionem mais eficientemente. Se você se exercitar regularmente e somente de acordo com as instruções de um profissional de saúde, talvez lhe seja possível fazer mais do que fazia antes, sem sentir dor anginosa. O exercício também ajuda você a reduzir alguns fatores de risco de insuficiência coronária, tais como pressão alta, colesterol elevado, diabetes e ganho de peso. Por outro lado, a inatividade física está associada a um risco aumentado de você vir a sofrer um ataque cardíaco.

Só um profissional de saúde pode ajudá-lo a decidir sobre os tipos e quantidades de exercício que você deve praticar antes de iniciar qualquer programa de exercícios, é importante que você:

• Evite atividades que lhe provoquem dor; conheça suas limitações;
• Faça um aquecimento durante pelo menos cinco minutos antes de se exercitar e  relaxe durante cinco minutos após o exercício;
• Pare de exercitar-se se sentir qualquer sinal de dor anginosa;
• Use roupas confortáveis e de acordo com o clima;
• Não tente exercitar-se demais no início;
• Repouse quando precisar;
• É recomendável compartilhar com um profissional de saúde qualquer dor relacionada ao exercício.

Que tipo de medicamentos são usadas para o tratamento de angina?

Vários e diferentes tipos de drogas são usados no tratamento de angina. Elas podem ser tomadas sozinhas ou combinadas entre si.

Cada uma serve a um propósito específico, tal como reduzir a gravidade da dor anginosa ou impedir o aparecimento de episódios anginosos. Algumas destas drogas atuam melhorando o fluxo sangüíneo através das artérias coronárias, e outras reduzindo a demanda de oxigênio pelo coração.

Entre as medicações mais comumente prescritas para o tratamento de angina estão:

Nitroglicerina

A nitroglicerina é usada para aliviar a dor no peito provocada pela angina. Ela também pode ser usada para impedir o aparecimento da dor. A nitroglicerina já há muitos anos é usada no tratamento de angina. Ela atua equilibrando a quantidade de oxigênio que o coração precisa e a quantidade de sangue e oxigênio disponíveis. A nitroglicerina geralmente é tomada em pequenos comprimidos que são colocados sob a língua para serem dissolvidos. Se você estiver tomando comprimidos de nitroglicerina, certifique-se de tê-los sempre consigo, de modo que possa tomar um ao primeiro sinal de um episódio de angina, ou antes de iniciar uma atividade que possa dar origem a uma crise.

Beta – bloqueadores

Estas drogas ajudam na prevenção de episódios de angina reduzindo a quantidade de oxigênio que o coração precisa durante o exercício ou estresse emocional. Este efeito é obtido pela propriedade que têm estas drogas de desacelerar a freqüência cardíaca e diminuir a pressão arterial. Se você tem diabetes ou alguma doença pulmonar, estas drogas provavelmente não serão prescritas para você. 

Antagonistas do cálcio

Antagonistas do cálcio ajudam na prevenção de episódios de angina e isquemia miocárdica silenciosa abrindo ou dilatando as artérias do coração e de todas as partes do corpo. Estas drogas, portanto, podem permitir que uma maior quantidade de sangue flua através das artérias, tornando mais fácil o trabalho do coração de bombear sangue, e fazendo com que mais sangue chegue ao próprio coração.

Devido à maneira pela qual os antagonistas do cálcio produzem a dilatação das artérias, eles também são usados no tratamento de pressão alta. 

Alguns antagonistas do cálcio mais recentes ou novas formulações de antagonistas do cálcio mais antigos oferecem a vantagem de eficácia de uma única dose diária durante as 24 horas do dia.

Assim, quando tomados apenas uma vez ao dia, eles podem proporcionar efeitos benéficos mesmo durante as primeiras horas da manhã, quando episódios de angina e de isquemia miocárdica silenciosa são mais prováveis de ocorrer.

Ácido acetilsalicílico

Esta droga não é indicada para a angina propriamente dita, mas é usada por seus efeitos “preventivos”.

O que você deve saber sobre sua medicação?

O que você deve saber sobre sua medicação?

• O nome da medicação, por que você deve tomá-la, e como ela funciona;
• Exatamente quando, com que freqüência, e que quantidade você deve tomar;
• Quaisquer possíveis efeitos colaterais que ela pode provocar e o que você deve fazer caso ocorram;
• Se não é seguro tomá-la com outras drogas ou se ela não interferirá no mecanismo de ação das outras drogas que você está tomando para a angina ou para outras doenças;
• Se você deve evitar certos alimentos, bebidas alcoólicas ou determinadas atividades ao tomar a medicação.

E se você estiver tomando medicações para outros problemas?

Se você estiver tomando medicações para outros problemas, é recomendável comentar este fato com o profissional de saúde que o acompanha. E se você estiver visitando outros médicos por outros motivos, não se esqueça de dizer-lhes que está tomando medicação para angina.

Não se esqueça que só um profissional de saúde pode ajudá-lo a decidir pela melhor forma de conduzir o seu tratamento.

Quais são os efeitos colaterais de diferentes drogas indicadas para o tratamento de angina?

Muitas drogas prescritas para a angina podem produzir efeitos colaterais enquanto seu organismo está se ajustando a elas. 

Algumas pessoas têm dores de cabeça, uma sensação de plenitude na cabeça, ou de um calor subindo para o rosto quando começam a tomar nitroglicerina. Estes efeitos geralmente desaparecem depois da nitroglicerina ter sido tomada várias vezes.

Um pequeno número de pacientes em tratamento com beta-bloqueadores podem experimentar fadiga, fraqueza, diminuição do desejo sexual ou distúrbios do sono. Os antagonistas de cálcio  podem causar inchaço nos membros inferiores (pés e tornozelos). Conforme mencionamos acima, muitos efeitos colaterais causados por drogas anti-angionosas podem ser evitados ou eliminados com ajustes posológicos ou mudança de medicação.

Algumas pessoas param o tratamento assim que experimentam o mais leve efeito colateral. É aconselhável conversar com o profissional de saúde com antecedência, sobre quaisquer efeitos colaterais que poderão ocorrer. Deste modo, você não será apanhado de surpresa se algum deles vier a acontecer. Além disso, relate caso você experimentar algum efeito colateral.

Em que situação é selecionado um procedimento adicional para o tratamento de angina?

Quando a dor anginosa continua apesar do uso de medicação e começa a interferir na vida rotineira do paciente, ou se uma ou mais artérias coronárias se encontram gravemente estreitadas ou bloqueadas, outras opções podem ser exploradas.

A cirurgia de ponte de safena é comumente realizada no tratamento de angina. Nesta operação, uma veia, normalmente retirada da perna do paciente, é enxertada ou ligada à artéria bloqueada. Se mais de uma artéria estiver bloqueada, será criada uma passagem secundária em cada uma delas.

Daí os termos ponte de safena dupla, tripla ou quádrupla. O cirurgião também pode optar, conforme o caso, por desviar uma artéria que fornece sangue para outra região e ligá-la a uma artéria coronária.

Um outro procedimento é chamado de angioplastia coronária. Neste procedimento, o bloqueio existente na artéria coronária é desobstruído através do uso de um balão inflável na ponta de um tubo fino e longo que é delicadamente guiado em direção à artéria coronária. Quando o balão se abre, os depósitos de gordura são empurrados para trás contra as paredes das artérias, desobstruindo-as e permitindo que o sangue flua facilmente.

Terei condições de viver a minha vida como antes?

Embora você talvez precise se ajustar a algumas modificações no seu estilo de vida, muitos pacientes de angina conseguem continuar com grande parte de suas atividades favoritas com o tratamento medicamentoso e modificando alguns dos seus hábitos.

A chave é compreender perfeitamente sua condição e controlá-la decididamente.

Qual a melhor maneira de conviver com a angina?

Pode ser difícil inicialmente ajustar-se à sua doença e fazer as modificações necessárias. Iniciar um tratamento também pode ser uma tarefa difícil. Mas uma vez passado o período de ajustamento inicial, você acabará achando que sua vida não é tão diferente afinal.

Depois que você estiver bem conscientizado e ajustado à sua doença e começar a tomar o controle de sua vida novamente, alguns importantes pontos a lembrar são os seguintes:

• Conheça as atividades e as situações que habitualmente desencadeiam um episódio de angina e, assim, você poderá tentar evitar que o mesmo ocorra;
• É aconselhável ter um bom relacionamento com os profissionais de saúde que o acompanham;
• Entenda os ajustes necessários em sua dieta e estilo de vida e colabore com o seu médico no sentido de que as mudanças sejam feitas paulatinamente, por etapas. Não tente fazer muita coisa de uma só vez. Por exemplo: se você tentar parar de fumar, perder peso e iniciar um programa de exercícios tudo ao mesmo tempo, provavelmente você não conseguirá concentrar-se o suficiente em cada um destes objetivos;
• Aprenda a controlar o estresse em sua vida aprendendo a dizer “não” quando isto evitar possíveis situações de tensão e problemas;
• Inclua a participação de seus familiares em suas questões de tratamento;
• Concentre-se nas coisas positivas que você está trabalhando em direção a um coração mais saudável e a uma vida mais longa. Certamente haverá coisas que você não poderá fazer, mas, por outro lado, existem muito mais coisas que você pode fazer e que sem dúvida lhe darão muita satisfação.

Referências:

Harrison's principles of internal medicine, 15th ed 2001; mcgraw-hill.

Guyton ac. Textbook of medical physiology.10th ed. 2000; w.b. saunders

III diretrizes brasileiras sobre dislipidemias e diretriz de prevenção da aterosclerose do departamento de aterosclerose da sociedade brasileira de cardiologia. Arq bras cardiol 2001;77 (supl III):1-48

Third report of the national cholesterol education program (ncep) expert panel on detection, evaluation, and treatment of high blood cholesterol in adults (adult treatment panel III) final report. Circulation. 2002 dec 17;106(25):3143-421

 

As informações sobre saúde contidas neste site são fornecidas somente para fins educativos e não pretendem substituir, de forma alguma, as discussões estabelecidas entre médicos e pacientes.

Em caso de dúvidas, favor contatar o Fale Pfizer através do telefone 0800-16-7575 (de segunda a sexta-feira das 8h00 às 20h00).

"Não tome nenhum medicamento sem o conhecimento de seu médico. Pode ser perigoso para sua saúde".

Todas as informações contidas neste site são destinadas ao público brasileiro.