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Perguntas e respostas sobre Depressão

A depressão, sabemos hoje, é uma patologia clínica e portanto passível de tratamento médico inclusive com o uso de medicamentos. É importante que se saiba que a depressão não deve ser vista como uma doença passageira que se resolve com o uso de qualquer medicamento tomado sem prescrição médica. Muito pelo contrário, devido à complexidade da doença e seus riscos o acompanhamento médico é imprescindível e indispensável. As drogas utilizadas para o tratamento da depressão têm indicação médica, possuem vários efeitos colaterais importantes e inclusive podem interagir com outros medicamentos comumente utilizados pela população trazendo riscos para a saúde daqueles que delas se utilizam sem prescrição e acompanhamento médico.


O que é depressão maior?

R. A depressão maior é manifestada pela combinação de sintomas que interferem com as habilidades de trabalho, sono, alimentação e o ato de se apreciar as coisas prazerosas da vida. Esses episódios de depressão podem ocorrer uma, duas ou várias vezes no período de vida de uma pessoa.


O que é distimia?

R. É um tipo menos severo de depressão e envolve sintomas crônicos de longa duração que não desabilitam as pessoas mas as mantém afastadas de estarem ativas ou se sentindo bem. Algumas vezes algumas pessoas com distimia também experimentam episódios de depressão maior. 
 

O que é depressão bipolar (distúrbio maníaco-depressivo)?

R. Esse tipo de distúrbio depressivo não é tão comum como as outras formas de depressão e envolve uma mistura de ciclos de depressão com ciclos de mania. Algumas vezes a mudança de humor é rápida e dramática, mas na maior parte das vezes é gradual. Quando uma pessoa está em um ciclo de depressão ela pode ter todos ou não ter nenhum dos sintomas típicos de um distúrbio depressivo. Quando, por sua vez, está em um ciclo de mania o mesmo pode ocorrer. A mania freqüentemente afeta o pensamento, julgamento e o comportamento social da pessoa de uma maneira que causa sérios problemas; por ex. uma decisão de negócios ou financeira não estudada, não aconselhável pode ser realizada durante uma crise de mania


O que é distúrbio afetivo sazonal?

R. Trata-se de um padrão da doença depressiva no qual os sintomas recorrem no inverno. Essa forma de doença depressiva é freqüentemente acompanhada de sintomas como diminuição da energia da pessoa, aumento da necessidade de dormir e de carboidratos. Fototerapia e/ou a exposição à luz solar da manhã pode ser de grande ajuda. 


 O que é depressão pós-parto?

R. Ficar um pouco "caída" ou "down" é comum após se ter um bebê, mas quando os sintomas não são leves ou demoram mais que alguns dias, deve-se procurar ajuda. Depressão pós-parto pode ser muito séria tanto para a mãe como para o bebê.  


 Como o "luto" é diferente de depressão?

R. Uma síndrome depressiva completa geralmente é a reação normal à morte de alguém amado (luto), com sintomas de depressão e outros associados como perda de apetite, perda de peso e insônia. Entretanto, uma preocupação mórbida com coisas sem valor, debilidade funcional prolongada e marcante bem como retardo psicomotor acentuado não são comuns e podem sugerir que esse luto está se complicando e a pessoa desenvolvendo uma depressão clínica. A duração do "luto" varia enormemente entre diferentes grupos culturais. 


O que é depressão atípica?

R. Depressão atípica é uma categoria diagnóstica não oficial, mas é freqüentemente discutida informalmente. Uma pessoa sofrendo de depressão atípica geralmente tem seu apetite aumentado e dorme mais que o habitual. Uma pessoa em tal situação ainda é capaz de apreciar circunstâncias prazeirosas apesar de não buscar tais circunstâncias. Isto contrasta com a verdadeira depressão onde encontramos perda de apetite e insônia, e onde a pessoa não acha prazer em nada. Apesar de seu nome, a depressão atípica pode ser na verdade muito mais comum que a outra depressão verdadeira. 


Quais são os sintomas típicos de depressão?

R. Um distúrbio depressivo é uma doença do corpo todo, envolvendo o corpo, o humor e os pensamentos. Ela afeta o jeito com que você come, dorme, o jeito de você se sentir a seu respeito e o jeito de você pensar sobre as coisas. Um distúrbio depressivo não é um estado de tristeza passageiro. Ele não é um sinal de fraqueza pessoal ou uma condição que desejemos nos livrar dela. Pessoas com depressão não conseguem simplesmente se colocar "de pé" e melhorar. Sem tratamento os sintomas podem perdurar por semanas, meses ou anos. O tratamento apropriado todavia, pode ajudar mais de 80% daqueles que sofrem de depressão. A depressão dentro dos distúrbios bipolares pode incluir períodos de mania ou euforia. Nem todos os que estão deprimidos ou em fase maníaca experimentam todos os sintomas. Algumas pessoas experimentam alguns sintomas, outras muitos. A severidade dos sintomas também varia muito. 

Sintomas e depressão:

• Tristeza persistente, ansiedade ou sensação de vazio. 
• Sentimento de desesperança e pessimismo. 
• Sentimentos de culpa, de não valer nada ou de estar sem ajuda. 
• Perda de interesse ou prazer em atividades e hobbies que uma vez eram apreciados, incluindo sexo. 
• Insônia, acordar cedo sem querer ou muito sono. 
• Perda de peso ou apetite ou ganho de peso ou apetite. 
• Diminuição da energia, fadiga ou sensação de estar "freando" 
• Pensamentos de morte e suicídio, tentativas de suicídio. 
• Dificuldade de se concentrar, relembrar ou tomar decisões. 
• Sintomas físicos persistentes que não respondem a tratamento, como dores de cabeça, distúrbios digestivos e dor crônica. 


Existem critérios médicos para se fazer o diagnóstico preciso de depressão não sendo nosso intuito descrevê-los em detalhes nesse texto pois o leigo não deve nem pode fazer o diagnóstico sozinho, porém apenas como exemplo da manifestação de distúrbios depressivos devemos lembrar as seguintes regras informais: 

A presença de cinco ou mais dos seguintes sintomas durante um período de duas semanas onde pelo menos um dos sintomas seja humor deprimido ou perda de interesse no prazer: 

• Humor deprimido a maior parte do dia, quase todos os dias (sentir-se triste ou vazio). Em adolescentes e crianças pode existir irritabilidade. 
• Diminuição importante no interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades do dia, quase todos os dias. 
• Perda de peso importante não estando em dieta (perda de mais que 5% do peso corporal em um mês), ou diminuição ou perda de apetite quase todos os dias. Em crianças considerar a incapacidade de se atingir um determinado peso. 
• Insônia ou aumento da sonolência quase todos os dias. 
• Agitação ou retardamento psicomotor quase todos os dias na observação de terceiros. 
• Fadiga ou perda de energia quase todo dia. 
• Sentimento de não ter valor ou sentimento de culpa excessivo quase todo dia. 
• Diminuição da atividade de pensar ou se concentrar ou indecisão quase todos os dias. 
• Pensamentos recorrentes de morte ou idéias recorrentes de suicídio com ou sem um plano definido ou ainda tentativa efetiva de suicídio.
 

Os sintomas acima não devem se encaixar naqueles de um episódio de doença bipolar (psicose maníaca depressiva). Os sintomas listados devem trazer stress ou prejuízo social ou funcional importante. Os sintomas acima não devem estar relacionados ao uso de substâncias químicas ou a patologias clínicas outras. 

Sintomas de mania: 

• Alegria desmedida 
• Irritabilidade desmedida 
• Insônia severa 
• Idéias grandiosas 
• Falar muito 
• Pensamentos disconectos e rápidos 
• Aumento do desejo sexual 
• Energia marcadamente aumentada 
• Julgamento ruim 
• Comportamento social inapropriado



O que é a depressão?

R. Estar clinicamente deprimido é bem diferente do sentimento de se estar meio "caído" que todas as pessoas experimentam de tempos em tempos. Sentimentos de tristeza ocasionais são uma parte normal da vida, e não é correto referir-se a eles como depressão. Na depressão clínica esses sentimentos estão presentes fora de proporção com causas externas. Existem coisas na vida de todos que são causas possíveis de tristeza, mas as pessoas que não estão deprimidas lidam com essa situação sem ficarem incapacitadas. Como todos podem imaginar a depressão pode apresentar-se como um sentimento de tristeza, mas a tristeza pode não ser o sentimento dominante em uma pessoa deprimida. A depressão também pode se apresentar como um sentimento de vazio ou talvez como se ter a sensação de não estar sentindo absolutamente nada. A depressão, na visão de psiquiatras, é uma doença na qual a pessoa experimenta uma mudança marcante no seu "jeito" de ser, no modo com que eles vêem eles mesmos e como encaram o mundo ao seu redor. A depressão como um distúrbio depressivo significativo pode variar de um caso leve de curta duração a um caso severo de longa duração e até mesmo colocar em risco a vida da pessoa. Os distúrbios depressivos podem se apresentar de formas diferentes da mesma forma que as outras doenças. As três formas mais comuns são chamadas de depressão maior, distimia e disordem bipolar.


 O que causa a depressão?

R. O grupo de sintomas os quais os médicos utilizam para fazer o diagnóstico de depressão o que inclui o pré requisito de que esses sintomas precisam estar presentes por mais de algumas semanas e que eles estejam interferindo com a vida normal, são o resultado de uma alteração na química do cérebro. Essa alteração é similar àquelas que ocorrem normalmente em situações de doença, stress, frustrações ou luto, mas diferem por serem auto-mantidas e sustentadas e não se resolvem automaticamente após a retirada do estímulo que as causou (isso quando se consegue encontrar um estímulo que as causou, o que nem sempre ocorre). Ao invés disso a alteração química continua produzindo sintomas depressivos e através deles uma enorme carga de stress na pessoa: tristeza, distúrbios do sono, perda de concentração, dificuldade para trabalhar, inabilidade para levar adiante suas necessidades físicas e emocionais e tensão nas relações com seus amigos e família. 

Essa nova carga de stress pode ser o gatilho que perpetua aquelas alterações químicas no cérebro ou serem somente um fator que impede a resolução das dificuldades que deram, no começo, início às alterações ou ambas. As alterações químicas cerebrais no paciente deprimido parecem ser auto-limitadas em muitos casos: após um a três anos uma normalização da química cerebral é atingida, mesmo sem tratamento médico. Entretanto se a alteração é suficientemente profunda para causar tentativas de suicídio, a maioria dos pacientes com depressão que não são tratados de fato tentam suicídio e cerca de 17% deles morrem em conseqüência. Desta forma, a depressão deve ser encarada como uma doença potencialmente fatal. Amigos e parentes podem se enganar pelo jeito despretensioso com que os pacientes deprimidos falam sobre suicídio ou auto-mutilação. Eles falam assim não porque eles realmente não querem dizer isso, mas porque essas coisas não parecem piores que a dor mental que eles já estão sofrendo. Comentários como "vocês estariam melhores se eu tivesse morrido" ou "eu gostaria se eu pudesse pular pela janela" seria o equivalente a uma febre alta, o deprimido deve ser levado a um profissional que possa avaliar e monitorar seu perigo. A situação do deprimido de que "eu estou pronto para pular na frente do próximo carro que passar" deve ser encarada como uma emergência médica que necessita de hospitalização. A depressão pode "desligar" o instinto de sobrevivência ou temporariamente desativá-lo. 

Os pensamentos do suicida que atingiram um ponto de crise máxima em sua vida não são iguais ao do paciente depressivo, pois esses não dão sinal do suicídio que estão a ponto de cometer, necessitam menos tempo para planejá-lo e estão mais motivados a praticá-lo de imediato como pular na frente de um carro. Eles também podem se ferir como um meio de se distraírem da grande dor mental que tem e fazem isso com extrema rapidez (de um momento a outro). 


 O que dá início às alterações químicas no cérebro, típicas da depressão?

R. Pode ser um evento psicológico ou físico. Do lado físico, uma mudança hormonal pode ser o gatilho inicial; algumas mulheres têm uma pequena depressão um pouco antes de entrarem em seu período pré-menstrual. Os hormônios masculinos também variam bastante mas menos obviamente. Também já se sabe que certas doenças crônicas têm a depressão como uma freqüente conseqüência: algumas formas de doenças cardíacas e parkinsonismo. 


 A tendência à depressão é hereditária (é passada de pai para filho)?

R. Ao que parece, em algumas pessoas a química cerebral é predisposta a uma resposta depressiva e outras que, mesmo expostas aos mesmos gatilhos físicos ou psicológicos, têm muito menos risco de desenvolverem depressão. Os filhos de pacientes maníaco-depressivos têm maior risco de terem depressão unipolar que a população em geral ou que filhos adotados desses mesmos casais, o que reforça a idéia de transmissão genética. Parece existir uma ligação entre criatividade e os genes para a depressão unipolar: artistas e escritores freqüentemente não têm depressão mas possuem alguém na família que tem. Estudos realizados em famílias nas quais membros em cada geração desenvolveram depressão mostraram que aqueles que tinham a doença também possuíam um mapa genético de alguma forma diferente dos que não tinham a patologia. Entretanto o inverso não é verdadeiro, ou seja, nem todos os que têm um mapa genético propício para o desenvolvimento de depressão vão tê-la, pois alguns fatores externos (meio ambiente: situações de stress) parecem ser de fundamental importância para o aparecimento da doença. A depressão maior também tende a ocorrer, geração após geração, em algumas famílias. Todavia a depressão pode ocorrer em pessoas sem nenhuma história familiar de depressão ou de qualquer outra doença psiquiátrica. Existem vários eventos na vida que parecem guardar relação com o aparecimento da depressão mas alguns aparecem com mais freqüência: perda da auto-determinação, perda da consciência de poder, da auto-confidência e da auto-estima. Mais profundamente: perda do "eu" próprio e perda das habilidades ou atividades que a pessoa identifica consigo mesma. Em geral qualquer ocorrência que traga mudanças na vida, freqüentemente eventos que estão além de nosso controle os quais pode trazer prejuízos ou danos à estrutura que dá a nossa vida um sentido. A habilidade da pessoa responder a esses eventos vai depender de muitos fatores, incluindo predisposição genética, suporte de amigos, saúde física e mesmo o meio ambiente.


 Que tipos de psicoterapia são efetivos para pacientes com depressão?

R. Os métodos efetivos para pessoas com depressão são as terapias cognitivas e as terapias interpessoais. Tanto a psicanálise e a psicoterapia orientada para o interior do paciente não se mostraram tratamentos efetivos para pessoas com distúrbios depressivos. 


 Algumas drogas atuam melhores que outras em certas doenças depressivas? Quais os critérios para se escolher uma droga?

R. Existem poucos tipos de depressão para os quais existem tratamentos antidepressivos específicos. Quando se trata de pacientes com distúrbios bipolares que se encontram em fase depressiva existem alguns problemas pois ao se administrar uma droga antidepressiva eles podem melhorar da depressão e mudarem de fase desenvolvendo episódios de mania. 

A possibilidade de mudarem de fase é menor no caso desses pacientes já estarem fazendo uso de medicação para o controle da mania. 


 Quando podemos dizer que um tratamento está funcionando? Quando se faz necessário mudar de tratamento?

R. Obviamente o tratamento antidepressivo não está funcionando quando o paciente permanece deprimido ou fica novamente deprimido. Quando a utilização de um antidepressivo iniciado há pouco tempo falha em trazer a melhora ao paciente, esse requisita que sua medicação seja mudada. Normalmente não faz sentido mudar-se a medicação até que 8 semanas com a dose máxima permitida para o caso tenham passado sem surtir nenhum efeito. Com alguns antidepressivos tricíclicos se faz necessário uma dosagem da droga no sangue para se saber se essa quantidade é suficiente. De modo geral somente após a administração responsável e segura de um antidepressivo e sua normal utilização por determinado período de tempo, pode a droga ser substituída. 


 Os antidepressivos são apenas "pílulas da felicidade"?

R. Não interessa o quanto sabemos sobre as drogas antidepressivas, mas está claro que elas não são "pílulas da felicidade" pois somente agem e causam melhora em pacientes clinicamente deprimidos. Além disso os efeitos dessas drogas só começam a aparecer vagarosamente ao longo de semanas. 


 Que percentual de pacientes com depressão respondem ao tratamento com drogas?

R. Geralmente cerca de 2/3 dos pacientes com depressão respondem bem às drogas. Aquelas pessoas deprimidas que não responderam ao primeiro antidepressivo que tomaram têm grandes chances de responder a algum outro antidepressivo.


 Como o paciente se sente quando a droga está fazendo efeito?

R. A descrição mais comum dos efeitos dos antidepressivos é a de que os sentimentos de depressão se vão embora vagarosamente. As pessoas que respondem aos antidepressivos não ficam eufóricas. Eles ainda são capazes de se sentirem tristes se alguma coisa ruim acontece e também podem se sentir muito felizes se algo bom acontece. A tristeza que sentem com desapontamentos não é depressão, mas a tristeza que qualquer pessoa sente quando está desapontada ou quando experimenta um sentimento de perda. Antidepressivos não trazem felicidade, eles somente ajudam a se obter alívio da depressão.


 Quais são as categorias mais importantes de antidepressivos?

R. Existem muitas classes de antidepressivos e duas delas estão no mercado há mais de 30 anos (os antidepressivos chamados de tricícliclos e os chamados inibidores da MAO). 

Hoje já dispomos de outros mais modernos que trazem como maior vantagem a mesma eficácia dos antigos porém com muito menos efeitos colaterais como é o caso dos chamados novos inibidores de recaptação de serotonina. 


 Quais são os efeitos colaterais mais comuns de alguns antidepressivos?

R. No caso da nortriptilina: boca seca, constipação, fraqueza, fadiga, tremores. 
No caso da venlafaxina: náuseas, dor de cabeça, sonolência, boca seca, insônia, constipação. 
No caso da amitriptilina: boca seca, sonolência, ganho de peso, constipação e aumento do suor. 
No caso da fenelzina: boca seca, insônia, aumento dos batimentos cardíacos, queda da pressão arterial, sedação. 
No caso de desipramina: boca seca, aumento da pulsação, constipação, queda da pressão. 
No caso da tranilcipromina: boca seca, insônia, aumento da pulsação, queda de pressão, sedação. 
No caso da paroxetina: diminuição do interesse sexual, náuseas, sedação, insônia, tonturas. 
No caso da fluoxetina: diminuição do interesse sexual, náuseas, dor de cabeça, insônia, diarréia, nervosismo. 
No caso de imipramina: boca seca, queda de pressão, constipação, dificuldade para urinar. 
No caso da sertralina: diminuição do interesse sexual, náuseas, dor de cabeça, insônia, diarréia, boca seca, sedação. 
No caso do citalopram: náuseas, boca seca, sonolência, aumento da sudorese e tremor. 


 Existe alguma coisa que os pacientes podem fazer para minimizar os efeitos colaterais dos antidepressivos?

R. A seqüência abaixo fornece algumas dicas de como lidar com esses efeitos colaterais: 

Boca seca: Beber muita água, mastigar goma de mascar sem açúcar, limpar os dentes diariamente, visitar seu dentista mais freqüentemente. 

Constipação: Beber pelo menos 8 copos de água por dia, comer cereais com fibras, comer saladas duas vezes por dia, exercitar-se diariamente (caminhar pelo menos 30 minutos por dia), solicitar auxílio de seu médico quanto ao uso de medicamentos para constipação. 

Problemas urinários: Os antidepressivos tricíclicos, principalmente, podem levar a uma dificuldade inicial para urinar, de forma que até a urina sair pela uretra pode demorar uns 5 minutos. Procure seu médico. 

Visão "borrada": Os tricíclicos, principalmente, podem dificultar a leitura. Uma mudança de óculos pode ser benéfica, mas a acomodação da visão pode ocorrer, portanto, adie o máximo possível a compra de óculos novos. 

Tonturas: Os antidepressivos tricíclicos e os inibidores da MAO podem acarretar tonturas ao sair da cama ou subir escadas. Levantar-se bem devagar pode ajudar. 

Beber quantidades adequadas de líquidos e ingerir quantidades adequadas de sal pode ser benéfico. Sempre procure seu médico para alertá-lo. 

Sonolência: Você se acostuma com esse tipo de efeito colateral à medida que vai tomando a medicação, mas pode perguntar ao seu médico se você pode tomar café e em que quantidade. Evite dirigir ou manejar máquinas. 



 Como podemos contornar os efeitos colaterais sexuais dos antidepressivos?

R. Ambos, a diminuição do desejo sexual e as dificuldades em se ter orgasmos podem ocorrer durante o tratamento com alguns antidepressivos. Não existe um meio de contornar a diminuição do desejo sexual a não ser diminuindo a dose ou substituindo a medicação. A dificuldade em se ter orgasmos pode ser tratada com medicamentos, sendo necessário você consultar seu médico sobre isso. 


 Os antidepressivos podem interagir e causar problemas se ingeridos com outras medicações mais comuns?

R. Os antidepressivos devido ao fato de serem metabolizados (alterados quimicamente) no fígado que é o local onde muitas outras drogas também são metabolizadas, podem ocasionar, dependendo do medicamento que se esta tomando concomitantemente, problemas mais ou menos sérios para o paciente. Por isso o acompanhamento médico do paciente é indispensável, pois somente o médico pode saber quais os remédios que podem ser usados ao mesmo tempo com determinado tipo de antidepressivo. 


 O que devo fazer se meu antidepressivo não está funcionando?

R. Muitas pessoas acreditam que seus antidepressivos não estão funcionando prematuramente. Quando alguém começa a tomar antidepressivos, ele tem a esperança que eles comecem rapidamente a agir. O que deve ser lembrado é que para um antidepressivo começar a funcionar ele deve estar em uma dose adequada por um adequado período de tempo (pelo menos uns 2 meses após a última mudança de dose do medicamento) Antes desse tempo a única razão para se abandonar um antidepressivo são seus efeitos colaterais. 


 Se um antidepressivo produz um efeito parcial, o que pode ser feito para melhorar isso?

R. Existem muitas técnicas que ajudam um antidepressivo a trabalhar melhor. A mais simples é o aumento da dosagem da droga até se atingir uma remissão da doença ou se iniciar os efeitos colaterais. Caso a dose não possa ser aumentada, algumas drogas (lítio, estimulantes, hormônios da tiróide, etc.) podem ser utilizadas pelo médico para melhorar os efeitos do antidepressivo em uso. 


 O que é Eletro Convulso Terapia (de choques) (ECT) e quando é utilizada?

R. A ECT é uma forma efetiva de tratamento para pessoas com depressão e outras formas de distúrbios do humor. A ECT pode ser utilizada quando um paciente com depressão severa não está respondendo aos medicamentos antidepressivos, não tolera os efeitos colaterais desses medicamentos ou precisa melhorar rapidamente. Mulheres grávidas e pacientes que sofreram recentemente infartos do miocárdio podem ser tratados (ECT) com segurança. Algumas vezes devido a pressões do trabalho, sociais ou de família, alguns pacientes não têm tempo para esperar os lentos efeitos dos antidepressivos começarem a aparecer. Como a ECT geralmente começa a fazer efeito após 2 a 3 semanas, ela se torna uma excelente alternativa para esses casos. 


 O que acontece quando uma pessoa recebe a Eletro Convulso Terapia (ECT)?

R. Os médicos devem estar bem esclarecidos sobre os benefícios e riscos de uma ECT, bem como os pacientes que inclusive têm que dar consentimento para que a terapia possa ser empregada. Após o consentimento do paciente ele é submetido a um completo exame físico que inclui raios-X, eletrocardiograma, exames de sangue e de urina. Uma série de ECT geralmente consiste de 6 a 12 sessões. Os tratamentos podem ser administrados a pacientes internados ou ambulatoriais. O paciente deve ficar em jejum por 8 horas antes do tratamento e uma medicação sedante EV é iniciada induzindo relaxamento dos músculos e redução da saliva. 

Após esses preparativos, estímulos elétricos são aplicados na cabeça. Esses estímulos produzem modificações no eletro-encefalograma semelhantes às que acontecem em uma crise epiléptica e parece que é isso que promove a melhora dos pacientes. Cerca de 30 minutos após a sessão, o paciente acorda um pouco confuso no início, mas logo depois está apto a exercer suas atividades normais. 


 O que os pacientes que receberam Eletro Convulso Terapia (ECT) acharam do procedimento?

R. Estudos mostraram que 80% dos pacientes submetidos a ECT acharam que melhoraram após as sessões e 75% disseram que a ECT não é mais ameaçadora que ir ao dentista. 


 Quanto tempo duram os efeitos das Eletro Convulso Terapias (ECT)?

R. A ECT obtém alto índice de sucesso no tratamento da depressão, mas é preciso se complementar a ECT com terapia medicamentosa após, senão existe 50% de chances da depressão voltar dentro de 6 meses.


 É verdade que a Eletro Convulso Terapia (ECT) causa lesões cerebrais?

R. Não existe nenhuma evidência de que a ECT cause lesões no cérebro. A ECT pode causar problemas de memória que, às vezes, demoram meses para desaparecer. 


 Se estiver usando antidepressivos posso beber álcool?

R. Existem vários problemas quando se mistura álcool com antidepressivos. Primeiro, os antidepressivos podem deixá-lo especialmente suscetível aos efeitos intoxicantes do álcool. Segundo, se você beber mais que 3 a 4 drinks por semana isso pode impedir que os antidepressivos atuem. Muitas pessoas que aparentemente não usufruem dos efeitos benéficos dos antidepressivos passam a se beneficiar se pararem de beber álcool. Em terceiro lugar, algumas drogas administradas junto com os antidepressivos não permitem que o paciente beba nada de álcool. 


 Como saber se a depressão é severa o suficiente para se procurar ajuda médica?

R. A ajuda de um médico é necessária quando os sintomas de depressão aparecem sem uma causa aparente, quando as reações emocionais são fora de proporção com os eventos da vida, e especialmente quando os sintomas estão interferindo com as atividades do dia a dia. Ajuda médica deve ser conseguida com urgência se existe história de tentativa de suicídio.


Referências

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2. Essential Psychopharmacology (Essential Psychopharmacology Series). Stephen M. Stahl et al. 2004. Cambridge University Press. 

3. Ebmeier KP et al. Recent developments and current controversies in depression. Lancet. 14;367(9505):153-67. 2006 

4. Rupke SJ et al. Cognitive therapy for depression. Am Fam Physician. 1;73(1):83-6. 2006 

5. Brookman RR. Disorders of mood and anxiety in adolescents. Adolesc Med Clin. 17(1):79-95. 2006 

6. Lader M. Management of panic disorder. Expert Rev Neurother. 5(2):259-66. 2005 

7. Merlo LJ et al. Obsessive-compulsive disorder: tools for recognizing its many expressions. J Fam Pract. 55(3):217-22. 2006

 

 

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