CONHEÇA AS BACTÉRIAS MULTIRRESISTENTES

Representação de bactérias

As bactérias multirresistentes são aquelas que se tornam resistentes à ação de vários antibióticos por meio de mutações, por exemplo, tornando o tratamento da infecção mais difícil1. Isso também ocorre com alguns tipos de fungos1.

Você pode até não saber seus nomes, mas deve conhecer algumas das infecções que elas podem causar.

A seguir, saiba mais sobre as bactérias multirresistentes, que doenças causam e como combatê-las.

Referências:

  1. WHO. Antibiotic Resistance Topics. Disponível em: https://www.paho.org/en/topics/antimicrobial-resistance. Acessado em: Novembro 2021

 

Staphylococcus aureus resistente à meticilina ou MRSA

Identificado em 19601, o MRSA é uma bactéria resistente à meticilina, um tipo de antibiótico pertencente ao grupo das penicilinas2. Por ser comumente encontrada em todo o mundo, é possível adquirir o MRSA em comunidade ou morando num lar para idosos2. Pessoas que necessitam usar cateteres ou que tenham recentemente passado por cirurgia ou algum tipo de hospitalização também correm risco de serem contaminadas2.
Este tipo de bactéria multirresistente pode contaminar a corrente sanguínea, causar infecções de pele e nos tecidos moles, pneumonia hospitalar e, por vezes, pneumonia necrosante rápida e fatal2.
A melhor forma de se combater o MRSA é usar antibióticos somente como orientado por seu médico. 2-3

Referências:

  1. Harkins, CP et ai. "Methicillin-resistant Staphylococcus aureus emerged long before the introduction of methicillin into clinical practice." Genome biology, 2017;18(1): 130. Doi:10.1186/s13059-017-1252-9.
  2. Mandell, Douglas, and Bennett's Principles and Practice of Infectious Diseases, 7th edition, edited by Gerald L. Mandell, John E .Bennett, and Raphael Dolin, 2009.
  3. Centers for Disease and Control Prevention (CDC). Antibiotic do's and don'ts: what you can do. Disponível em: https://www.cdc.gov/antibiotic-use/do-and-dont.html. : Novembro 2021.

 

Streptococcus pneumoniae ou Pneumococo

Identificado em 18811, o Pneumococo é comumente encontrado nas vias respiratórias e pode causar infecções que oferecem risco de morte, porque tem desenvolvido resistência a muitos antibióticos2-3.
Pneumonia, infecções de ouvido e da corrente sanguínea e sepse são algumas das complicações causadas por este tipo de bactéria multirresistente2.
Buscar a orientação do seu médico para manter as vacinas em dia é uma das formas de combater o Pneumococo4.

Referências:

  1. CDC Epidemiology and Prevention of Vaccine-Preventable Diseases: Pneumococcal Disease. Disponível em: https://www.cdc.gov/vaccines/pubs/pinkbook/pneumo.html. : Agosto 2020.
  2. Centers for Disease Contrail and Prevention (CDC). Pneumococcal Disease. Disponível em:  https://www.cdc.gov/pneumococcal/index.html. : Agosto 2020.
  3. CDC Pneumococcal Disease: Drug Resistance. Disponível em: https://www.cdc.gov/pneumococcal/drug-resistance.html. : Agosto 2020. 
  4. World Health Organization (WHO). Antibiotic resistance: Key facts. 13 Outubro 2020. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/antimicrobial-resistance.  : Agosto 2020.

 

Escherichia coli

Identificada em 18851, uma das bactérias mais comuns que vive em nossos intestinos, pode causar infecções graves e se tornar resistente a muitos antibióticos, incluindo os da classe dos carbapenêmicos2-3.
A E. coli pode causar infecções no trato urinário, intoxicação alimentar, infecções abdominais, na corrente sanguínea e sepse3.
Lavar as mãos regularmente com água corrente limpa e sabão é uma das formas de combater esta bactéria multirresistente4.

Referências:

  1. Ji Youn Lim, A Brief Overview of Escherichia coli 0157:H? and lts Plasmid 0157, National Institute of Health, Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3645889/ Acessado em: Agosto 2020.
  2. CDC, E. coli (Escherichia coli) Questions and Answers. Disponível em: https://www.cdc.gov/ecoli/general/index.html. Último acesso: Agosto 2020.
  3. Mandell, Douglas, and Bennett's Principles and Practice of Infectious Diseases, 7th edition, edited by Gerald L. Mandell, John E .Bennett, and Raphael Dolin, 2009.
  4. CDC When and How to Wash Your Hands, Disponível em: https://www.cdc.gov/handwashing/when-how-handwashing.html. Acessado em: Agosto 2020.

 

Aspergillus fumigatus

Identificada em 18631, esse fungo causa a aspergilose, uma doença grave, invasiva e progressiva, que acomete pessoas que estão com o sistema imune comprometido2.
Com altas taxas de mortalidade (até 88% dos casos)3, a infecção atinge, inicialmente, os pulmões, com a aspergilose pulmonar invasiva, antes de se espalhar para os outros órgãos4.
Uma forma de combater esse fungo é lavar as mãos regularmente com água e sabão por, pelo menos, 20 segundos2-5.

Referências:

  1. Schmidt A, Schmidt OI. J.B. Georg W. Fresenius and the description of the species Aspergillus fumigatus in 1863. Contrib Microbial. 1999;2:1-4.
  2. Bongomin F, Harris C, Foden P, Kosmidis C, Oenning OW. lnnate and adaptive immune defects in chronic pulmonary' aspergillosis. J Fungi. 2017;3:E26.
  3. Lin SJ, Schranz J, Teutsch SM. Aspergillosis case-fatality rate: systematic review of the literature. Clin lnfect Dis. 2001 ;32:358-366.
  4. Khan SA Antifungai therapy for invasive aspergillosis. US Pharm .2013;38: HS2-HS5.
  5. Pitt JI. Aspergillus and related teleomorphs. Fungi and Food Spoilage, 3rd edition. New York Springer, 2009;275-337.

 

Klebsiella pneumoniae

Identificada em 18821, esta bactéria pertence à família das Enterobacterales e está cada vez mais resistente aos antibióticos, especialmente os da classe dos carbapenêmicos. Por isso, as infecções causadas por esta bactéria multirresistente são muito difíceis de tratar2-3.
Entre as potenciais condições causadas pela K. pneumoniae estão a pneumonia, infecções do trato urinário, meningite, infecções em feridas e sepse2.
Uma das formas de combate a este tipo de bactéria é manter as mãos sempre limpas, lavando-as com água e sabão ou higienizando-as com álcool em gel 60%4.

Referências:

  1. Ratajczak, Helen V Klebsiella, infection and immunity. Encyclopedic Reference of immunotoxicology. 2005 Edition. Disponível em: https://doi.org/10.1007 /3-540-27806-0_859. Último acesso: Agosto 2020.
  2. Centers for Disease Contrail and Prevention (CDC). Klebsiella pneumoniae in Healthcare Settings. Disponível em: https://www.cdc.gov/hai/organisms/klebsiella/klebsiella.html. Último acesso: Agosto 2020
  3. Mandell, Douglas, and Bennett's Principies and Practice of Infectious Diseases, 7th edition, edited by Gerald L. Mandell, John E .Bennett, and Raphael Dolin, 2009.
  4. CDC. Handwashing: Clean Hands Save Lives. Disponível em: https://www.cdc.gov/handwashing/index.html. Último acesso: Agosto 2020.

 

Rhizopus oryzae (ordem Murcorales)

A mucormicose é uma infecção fúngica oportunista, altamente invasiva, não transmissível, causada por fungos da ordem mucorales1, à qual pertence o R. oryzae, que foi identificado em 18952.
Com taxas de mortalidade altamente elevadas (até 88%), normalmente, acomete pessoas com o sistema imune comprometido ou que estejam com o diabetes fora de controle1-3-4.
A infecção manifesta-se tipicamente nas vias aéreas superiores como mucormicose pulmonar antes de invadir os vasos sanguíneos, resultando na disseminação e na morte dos tecidos5.
Uma das formas de se combater este tipo de fungo é assegurar que pessoas imunossuprimidas não tenham contato com ambientes expostos ao mofo6.

Referências:

  1. Millon L, Scherer E, Rocchi S, Bellanger AP. Molecular strategies to diagnose Mucormycosis. J Fungi. 2019;5:E24.
  2. Mycobank. Rhizopus oryzae. Disponível em: http://www.mycobank.org/BioloMICS.aspx?TableKey=14682616000000063&Ree=13943&Fields=. Último acesso: Fevereiro 2020.
  3. lbrahim AS, Spellberg B, Avanessian V, Fu Y, Edwards JE. Rhizopus oryzae adheres to, is phagocytosed by, and damages endothelial cells in vitro. lnfect lmmun. 2005;73:778-783.
  4. Guinea J, Escribano P, Vena A, et ai. increasing incidence of Mucormycosis in a large Spanish hospital from 2007 to 2005: epidemiology and microbiological characterization of the isolates. PLoS One. 2017;12:e0179136.
  5. Mignogna MD, Fortuna G, Leuci S, et ai. Mucormycosis in immunocompetent patients: a case-series of patients with maxillary sinus involvement and a critical review of the literature. lnt J infect Dis. 2011 ; 15:e533-40.
  6. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Fungal diseases: Risk and Prevention. How can I lower the risk of mucormycosis? Disponível em: https://www.cdc.gov/fungal/diseases/mucormycosis/risk-prevention.html. Acessado em: Novembro 2021.

 

Pseudomonas aeruginosa

Identificada em 1882, esta bactéria é altamente resistente a muitos antibióticos e as infecções causadas por ela podem levar à morte1. Pessoas internadas em hospitais ou que estão com o sistema imune comprometido geralmente são mais suscetíveis à contaminação por pseudonomas1.
Infecções do trato urinário, pneumonia e sepse são problemas causados pela P. aeruginosa1.
Usar antibióticos somente conforme a indicação do seu médico é uma das melhores formas de se combater esta bactéria multirresistente2.

Referências:

  1. Mandell, Douglas, and Bennett's Principies and Practice of Infectious Diseases, 7ª edição, editado por Gerald L. Mandell, John E .Bennett, and Raphael Dolin, 2009.
  2. World Health Organization (WHO). Antibiotic resistance: Key facts. 13 Outubro 2020. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/antimicrobial-resistance.  Último acesso: Agosto 2020.

 

Clostridioides difficile

Identificada em 19351, C. difficile é uma bactéria persistente e seus esporos podem ser encontrados em diversos ambientes como solo, utensílios domésticos, artigos de cama, mesa e banho, produtos e alimentos contaminados e fezes humanas ou de animais2,3.
No passado, estabelecimentos de saúde como hospitais e clínicas eram os locais que mais ofereciam risco de contrair essa bactéria multirresistente. Mas, atualmente, há um número crescente de casos relatados fora destes ambientes4-6.
Os sintomas mais frequentes da infecção por C. difficile (ICD) são febre, náuseas, perda de apetite, sensibilidade ou dor abdominal e diarreia aquosa com uma frequência maior que três vezes ao dia. De forma até desproporcional, as ICDs acometem mais adultos idosos, especialmente a partir dos 65 anos7, comprometendo muito a saúde dessa população e podendo, em alguns casos, levar à morte2,8
A lavagem completa e frequente das mãos, além do uso de soluções hipocloríticas e desinfetantes, o uso criterioso de antibiótico conforme a recomendação médica e o isolamento de pessoas infectadas são as principais formas de combater e limitar a propagação dessa bactéria multirresistente2-10. Mesmo assim, aqueles que contraem a doença sofrem um alto impacto na saúde2-10

Referências:

  1. Mandell GL, Bennett JE, Dolin R, eds. Mandei 1, Douglas, and Bennett's Principies and Practice of Infectious Diseases, 7th edition. Philadelphia: Churchill Livingstone Elsevier, 2010.
  2. Mayo Clinic. C. difficile infection. https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/c-difficile/symptoms-causes/syc-20351691. Último acesso Setembro 2020. 
  3. Janezic S, Potocnik M, Zidaric C, et ai. High divergent Clostridium difficille strains isolated from the environment. Plos One. Nov. 23, 2016. https://doi. org/10.1371/journal.pone.0167101.
  4. DePestel DD, Aronoff DM. Epidemiology  of Clostridium difficille infection. J Pharm Pract. 2013; 26(5):464-475. Doi: 10.1177/0897190013499521. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4128635/pdf/nihms610787.pdf.  Novembro 2021.
  5. European Hospital and Healthcare Federation (HOPE). Clostridium difficile infection in Europe. A CDI Europe Repari. https://www.multivu.com/assets/60637/documents/60637-CDI-HCP-Report-original.pdf. Acessado em: Novembro 2021.
  6. National institute of Health Annual epidemiological commentary: Gram-negative bacteriaemia, MRSA bacteriaemia, MSSA bacteriaemia and C. difficile infections, up to and including financial year Abril 2020 a Março 2021. Setembro 2021. Disponível em: https://assets.publishing.service.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/1016843/Annual_epidemiology_commentary_April_2020_March_2021.pdf. Último acesso: Novembro 2021.
  7. Pechal A, Lin K, Allen s, Reveles K. National age group trends in Clostridium difficille infection incidence and health outcomes in United States Community Hospitais. BMC infectious diseases. 2016 ;16(1), 682. doi: 10. l 186/sl2879-016-2027-8.
  8. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). FAQs for Clinicians about C. diff. Disponível em: https://www.cdc.gov/cdiff/clinicians/faq.html.  Último acesso: Setembro 2020.
  9. Cole SA, Stahl A. Persistent and recurrent Clostridium difficille colitis. Clin Colon Rectal Surg. 2015 ;28(2) ;65-69. Doi : 10.1055/s-0035-1547333. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4442717/.
  10. Guh AY, Mu Y, Winston G, et ai. Trends in U.S. Burden of Clostridium difficille infection and outcomes. N Eng/ J Med. 2020;382:1320-1330. D0I: 10.1056/ NEJMoa1910215.

 

Acinetobacter baumannii

Identificada em 19111, desenvolveu resistência a múltiplos antibióticos, tornando-se uma bactéria multirresistente2.
Geralmente é encontrada em hospitais e pode causar desde pneumonia e infecções em feridas até a sepse, oferecendo risco de morte.
Uma forma de combater essa bactéria multirresistente é lavar as mãos regularmente com água e sabão por, pelo menos, 20 segundos1-3.

Referências:

  1. Almasaudi, Saad B. Acinetobacter spp.as nosocomial pathogens: Epidemiology and resistance features. Saudi Journal.
  2. Mandell, Douglas, and Bennett's Principies and Practice of Infectious Diseases, 7th edition, edited by Gerald L. Mandeil; John E .Bennett, and Raphael Dolin, 2009. of Biological Sciences. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1016/j.sjbs.2016.02.009 Último acesso: Agosto 2020.
  3. CDC When and How to Wash Your Hands. Disponível em: https://www.cdc.gov/handwashing/whenhow-handwashing.html. Último acesso: Agosto 2020

 

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PP-HOS-BRA-0153 – Novembro/2021