Dia Mundial de Combate à Meningite: saiba os tipos da doença, sintomas e principal forma de prevenção

Criança recebe vacina para meningite visando o combate à meningite

São mais de 5 milhões de pessoas afetadas pela meningite anualmente ao redor do mundo. Com uma taxa de letalidade de cerca de 20% - em alguns tipos da doença pode chegar a 50% -, a população atingida ainda pode sofrer com as sequelas que a meningite pode causar. O dia 24 de abril é marcado pelo Dia Mundial de Combate à Meningite, data que busca a conscientização da população e destaca a importância das formas de prevenção da doença.

O que é a meningite?

Há três membranas que envolvem e protegem o cérebro, a medula espinhal e outros membros do sistema nervoso central. A meningite é uma infecção que atinge uma dessas membranas, conhecidas também como meninges. Na maioria dos casos, são vírus ou bactérias os principais agentes que causam a infecção. 

No Brasil, a meningite é classificada como uma doença endêmica, o que significa que ela se manifesta com frequência em determinadas regiões. Geralmente, o surto de meningite bacteriana ocorre durante o inverno, enquanto a meningite viral é mais incidente durante o verão.

Apesar dos avanços obtidos pela saúde pública nos últimos anos, a meningite é uma doença que causa muitas mortes. Isso mostra a importância da população conhecer as formas de prevenção desta doença. O Dia Mundial de Combate à Meningite enaltece a prevenção, o diagnóstico e o tratamento adequados a fim de diminuir consideravelmente o número de casos. A vacinação é a principal ferramenta para a prevenção de surtos da meningite bacteriana. 

Surto de meningite: o potencial epidêmico da doença

A definição de surto de uma doença específica é dada quando:

  • Há três ou mais casos; 
  • Todos eles ocorreram em uma mesma região; 
  • Todos eles ocorreram em um período de três meses;
  • Geram uma taxa de ataque igual ou maior a dez casos em 100.000 habitantes.

 

Geralmente o número total de casos que ocorrem nos surtos de meningite é pequeno, com menos de dez pacientes acometidos por surto. No entanto, o grande problema é que os casos apresentam uma alta taxa de letalidade, ou seja, muitos pacientes que contraem a doença morrem.

Um surto de meningite pode acontecer devido a uma combinação de fatores: 

  • Imunidade da população em determinada região;
  • Condições climáticas favoráveis para a infecção;
  • Cuidados sanitários inadequados;
  • Cepas fortes do agente causador. 

 

Muitas vezes, o surto de meningite ocorre devido à circulação de uma variante do vírus ou bactéria que causa a doença, para o qual a população ainda não possui imunidade.

No Brasil, o agente causador mais comum é a bactéria meningococo. Os sinais e sintomas desse tipo de meningite são graves e têm rápida evolução. Por outro lado, existe uma vacina protetora exclusivamente para Meningococo C, sendo essencial para prevenir a doença.

Atenção: a manifestação mais comum da doença, a Meningococo C, atinge pessoas de todas as idades, mas a incidência maior é em crianças menores de 5 anos, em especial aquelas que ainda estão no primeiro ano de vida. Adolescentes e idosos também são grupos bastante afetados.

O combate à meningite começa na prevenção

Por ser causada por bactérias e vírus, a meningite é transmitida a outras pessoas por meio de gotículas de saliva - na fala, tosse, espirros e beijos. Nem sempre a pessoa contaminada vai manifestar os sintomas, pois o organismo dela pode já possuir anticorpos de resistência à doença. 

Crianças de 6 meses a 1 ano estão mais vulneráveis à contaminação por possuírem um sistema imunológico ainda em formação, sem anticorpos para o combate à meningite.

A prevenção, no entanto, requer cuidados simples de higiene:

  • Lavar as mãos constantemente e reforçar todos os hábitos de higiene;
  • Não compartilhar talheres e alimentos com outras pessoas;
  • Manter os ambientes limpos e ventilados;
  • Evitar aglomerações;
  • Higienizar constantemente os brinquedos e outras superfícies de contato;
  • Manter o cartão de vacinação das crianças atualizado.

 

Vacina para meningite

Após o início da vacinação gratuita contra o meningococo em crianças de até 5 anos, o número de casos de meningite relacionada a esse agente reduziu drasticamente, com 70% menos incidência em menores de 2 anos. O que comprova que a vacinação é a forma mais eficaz de combate à meningite. 

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece em seu calendário oficial as vacinas contra meningococo do tipo C, Haemophilus Influenzae do tipo B, Pneumococo e Tuberculose - agentes bacterianos que causam a meningite. Veja quais as vacinas disponíveis e quem deve tomá-las:

Meningo C - vacina para meningite causada por meningococo tipo C.

  • Crianças: a 1ª dose deve ser tomada aos três meses; a 2ª dose aos cinco meses; e o reforço deve ser feito entre 12 meses e quatro anos 11 meses e 29 dias;
  • Adolescentes: uma dose entre 12 e 13 anos.
  • Adultos: pessoas com doenças no sistema imunológico ou que fazem uso de medicamentos imunossupressores devem consultar qual o esquema de vacinação adequado. Outros adultos devem buscar a vacina em situações de risco, como surtos na região e viagens para locais onde há risco de transmissão, por exemplo.

 

Pneumo 10 - vacina para meningite por pneumococo.

  • Crianças: a 1ª dose deve ser tomada aos dois meses; a 2ª dose aos quatro meses; e reforço deve ser tomado entre 12 meses e quatro anos 11 meses e 29 dias.
  • Adolescentes e adultos: apenas aqueles que possuem condições especiais de saúde e como rotina para pessoas acima de 60 anos. 

 

Pentavalente - vacina para meningite por Haemophilus influenzae.

  • Crianças: a 1ª dose deve ser tomada aos dois meses; a 2ª dose aos quatro meses; e a 3ª dose deve ser tomada aos seis meses.
  • Adolescentes e adultos: pessoas que possuem doenças crônicas ou que fazem tratamentos que aumentem o risco de infecção.

 

BCG: vacina para meningite tuberculosa.

  • Para crianças: ao nascer.

 

O SUS também disponibiliza a vacina para meningococo do tipo A, mas apenas em casos de surtos e epidemias por esse sorotipo. Na rede privada de saúde, são oferecidas as vacinas para meningococo dos tipos A, B, Y e W.

Confira também o calendário vacinal da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim), que traz também as recomendações de vacinas disponíveis na rede privada. 

Quais os tipos de meningite?

A meningite pode ser causada por vírus, bactérias, parasitas ou fungos. No Brasil, os casos mais comuns são de meningites bacterianas - entre elas, conheça um pouco sobre cada manifestação:  

Meningococo - causa um tipo de meningite com evolução rápida e, por isso, tem alta taxa de letalidade (um a cada cinco infectados morrem; em casos que a infecção atinge a corrente sanguínea do paciente, morrem sete a cada dez contaminados). Como sequela, pode causar cegueira, surdez, problemas neurológicos ou amputação de algum membro. 

Haemophillus Influenzae b - este agente infeccioso entra pela corrente sanguínea e causa meningite e outras doenças graves. Com o avanço da vacinação, a incidência de casos deste tipo diminuiu - e é importante que as pessoas continuem se vacinando para que assim se mantenha;

Pneumococo - acomete o sistema respiratório e desenvolve um quadro parecido com o do meningococo. Sua letalidade é de cerca de 30% e atinge principalmente idosos e crianças menores de 5 anos.

Bacilo de Koch – a bactéria causadora da tuberculose também causa meningite. O quadro evolui de maneira mais lenta, mas ainda é letal. Atinge crianças pequenas e pacientes com problemas no sistema imunológico.

Sinais e sintomas da meningite

Os sinais e sintomas da meningite variam de acordo com a idade da pessoa afetada. Em geral, podem ser classificados também pelo tipo de agente infeccioso:

Sinais e sintomas das meningites virais

  • Sensação de gripe ou resfriado;
  • Febre;
  • Dor de cabeça;
  • Rigidez na região da nuca;
  • Falta de apetite;
  • Irritação. 

 

Sinais e sintomas das meningites bacterianas

  • Dores fortes na cabeça e no pescoço;
  • Febre alta;
  • Mal-estar; 
  • Vômitos;
  • Dificuldade em encostar o queixo no peito;
  • Manchas vermelhas no corpo;
  • Nos bebês, a moleira fica elevada e pode-se perceber sonolência em excesso, irritabilidade, recusa em mamar e choro ininterrupto.

 

Diagnóstico precoce da meningite é essencial para evitar complicações

Quando os sintomas forem detectados, é necessário buscar ajuda médica imediata. As manchas vermelhas pelo corpo são um sinal de que a infecção está se alastrando pela corrente sanguínea e pode acarretar em uma infecção generalizada.

Ao fazer o diagnóstico precoce da meningite bacteriana, o médico pode prescrever antibióticos adequados e, assim, diminuir as complicações e a mortalidade da doença. 

Tratamento para combate à meningite

Não existe medicação específica para curar meningites virais. O tratamento é prescrito para o alívio dos sintomas. Já as meningites bacterianas e fúngicas são tratadas com antibióticos, algumas vezes administrados diretamente pelas veias do paciente. 

Veja também

Meningite
Meningite meningocócia
Adolescência e meningite: a importância da prevenção também nessa faixa etária

 

Referências: 

 

 

PP-PFE-BRA-3482