Hanseníase e Polineuropatia Amiloidótica Familiar (PAF): saiba as diferenças

Pessoa com deformidade nos dedos das mãos, um dos sinais da hanseníase - Pfizer

A hanseníase e a Polineuropatia Amiloidótica Familiar (PAF) são duas doenças bastante distintas em suas causas e tratamentos, mas fáceis de serem confundidas por apresentarem sintomas parecidos. Isso porque ambas atingem o sistema nervoso periférico e podem comprometer as terminações nervosas, prejudicando os estímulos recebidos pelo corpo. Apesar dessas características, devem ser sempre diferenciadas para que sejam tratadas adequadamente.

O que é a hanseníase?

Uma doença crônica e transmissível, a hanseníase é causada pela contaminação por uma bactéria e atinge principalmente a pele e os nervos periféricos. Ela pode se manifestar por meio de manchas com limites imprecisos, que se espalham pelo corpo. Geralmente são claras ou vermelhas e alteram a sensibilidade da região em que se localizam. 

A pessoa com hanseníase pode não sentir os estímulos de toque em cima das manchas. Isso significa que o nervo da área foi afetado, o que pode também pode causar:

  • Sensação de dormência;
  • Perda de tônus muscular;
  • Retração dos dedos, se for o caso da área atingida;
  • Queda de pelos;
  • Ausência de transpiração.

 

Em fases agudas da doença, a pessoa pode desenvolver incapacidade física e deformações no corpo, como caroços e inchaços nas orelhas, mãos, cotovelos e pés. 

O que é a Polineuropatia Amiloidótica Familiar (PAF)

É uma doença degenerativa e hereditária - portanto, não contagiosa - causada pelo acúmulo de proteínas anormais no organismo. A PAF afeta a sensibilidade da pele em regiões onde os nervos foram lesionados e causa dores nos braços e nas pernas. Quando também atinge o sistema nervoso autônomo, pode causar problemas em funções vitais do corpo, como a respiração, circulação do sangue, digestão e controle de temperatura.

Como cada doença é causada?

A PAF é uma condição rara, causada por uma mutação. Hereditária, a doença gera um depósito acumulado de proteínas anormais nas fibras nervosas, causando lesões. Por esta razão surgem os sintomas.

A hanseníase, por sua vez, é uma doença infecciosa causada pela bactéria conhecida como bacilo de Hansen, ou Mycobacterium leprae. Uma pessoa infectada e que não está em tratamento pode transmitir a doença através de gotículas de saliva e secreções do nariz. No entanto, para contrair a bactéria, é preciso uma convivência muito próxima e prolongada com outras pessoas portadoras da doença- por isso, geralmente os membros da mesma família são contaminados. Tocar na pele lesionada do paciente não oferece riscos de infecção. 

O tempo de incubação da bactéria - período entre a infecção e a manifestação de sintomas - varia de seis meses a cinco anos. Os sinais e progressão da doença depende da genética e resistência imunológica de cada pessoa.

Para diagnosticar: hanseníase ou Polineuropatia Amiloidótica Familiar?

A Polineuropatia Amiloidótica Familiar pode ser diagnosticada da seguinte forma:

  • Por meio de teste genético que comprove a presença de mutação;
  • Por meio da análise dos sintomas por um especialista em neurologia ou cardiologia;

 

Já o diagnóstico da hanseníase é realizado por meio de avaliação clínica dermatológica e neurológica, que inclui: 

  • Testes de sensibilidade;
  • Análise de força motora;
  • Palpação de nervos;
  • Análise do tecido coletado em áreas de lesão na pele. 

 

Em ambas as doenças, o diagnóstico precoce é um aliado para um tratamento de sucesso.

Não se confunda: os tratamentos da hanseníase e da PAF são diferentes

Para tratar a Polineuropatia Amiloidótica Familiar, há duas possibilidades:

  • Uso de medicamento para estabilizar e inibir a produção das proteínas anormais que lesionam os nervos;
  • Transplante de fígado, um procedimento que envolve mais riscos e não cura as lesões já existentes.

​​​​​​​

No caso da hanseníase, o tratamento é feito com uma combinação de medicamentos e pode durar de seis meses a um ano, mas pode ainda ser prorrogado, dependendo da progressão da doença. Em alguns casos, é necessário tomar antibióticos de manutenção por toda a vida. Após a primeira dose da medicação, não há mais risco de transmitir a doença. 

A maneira mais indicada para evitar a propagação da hanseníase é o tratamento dos pacientes infectados e a testagem dos familiares dessas pessoas, a fim de detectar a doença mesmo antes de sua manifestação.

 


Referências

 

 

 

PP-PFE-BRA-3332